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Investimento para abrir um hortifruti: a conta item a item

Veja quanto custa abrir um hortifruti de 30 a 120 m², bloco por bloco, e use a calculadora para chegar ao número da sua loja.

Equipe VendaSimples 14 min de leitura Atualizado em 5 de outubro de 2026
Interior de um hortifruti de bairro novo com bancas de frutas e verduras, balança e caixa, representando o investimento para abrir um hortifruti
Neste artigo

Terça de madrugada na CEASA, dinheiro vivo na mão, e a dúvida de sempre: quantas caixas de tomate cabem na banca e no caixa até sexta. O investimento para abrir um hortifruti de bairro fica entre R$ 40 mil e R$ 130 mil, e a diferença entre as duas pontas está em dois itens, a refrigeração e o carro da CEASA. A conta bloco por bloco está abaixo, com calculadora para a área da sua loja.

Os valores deste texto são estimativas para uma loja de 30 a 120 m² de área de venda, com um caixa e de duas a quatro pessoas trabalhando. Banca, balança e câmara mudam de preço por região, e a primeira compra muda toda semana com a CEASA. Sirva-se das faixas como lista de conferência e peça preço na sua cidade antes de assinar o aluguel.

O número de partida: um hortifruti de 60 m²

Uma quitanda de 30 a 40 m², sem câmara fria e sem carro, abre com R$ 40 mil a R$ 60 mil, já contando o dinheiro para os primeiros meses. O formato mais comum de bairro, 60 m² com expositor refrigerado e câmara pequena, fica entre R$ 80 mil e R$ 100 mil. Acima de 100 m², com frios, laticínios, mercearia e utilitário próprio, a conta passa de R$ 130 mil.

BlocoComo se calculaLoja de 60 m²O que entra
Bancas, gôndolas e caixas plásticasR$ 150 a R$ 400 por m²R$ 9.000 a R$ 24.000Bancas inclinadas, gôndola de mercearia, caixas de exposição
Refrigeraçãovalor fixoR$ 8.000 a R$ 35.000Expositor aberto, câmara fria, freezer
Balanças e ponto de vendavalor fixoR$ 6.000 a R$ 12.000Etiquetadora, balança de caixa, computador, impressora, leitor
Reforma do pontoR$ 100 a R$ 350 por m²R$ 6.000 a R$ 21.000Piso lavável, pia, elétrica para refrigeração, fachada
Abertura e licençasvalor fixoR$ 800 a R$ 4.500Contador, CNPJ, inscrição estadual, alvará, vigilância, certificado
Primeira compraR$ 100 a R$ 250 por m²R$ 6.000 a R$ 15.000CEASA + mercearia básica
Veículo para a CEASA (opcional)valor fixoR$ 0 a R$ 60.000Utilitário usado ou van; a alternativa é o frete do fornecedor
Capital de giro (3 meses)valor fixoR$ 20.000 a R$ 35.000Aluguel, energia, salários e as compras da semana até o caixa girar
Os oito blocos do investimento de um hortifruti de bairro, com a faixa para 60 m².

O hortifruti divide o dinheiro ao contrário da maioria das lojas. A primeira compra é pequena, R$ 6 mil a R$ 15 mil para 60 m², porque ninguém compra 30 dias de banana. O que pesa é o equipamento e o caixa de reserva: a CEASA vende à vista, duas ou três vezes por semana, e o cartão só paga em 30 dias.

A refrigeração é o único bloco que se paga sozinho. Cada expositor refrigerado faz a folha durar mais um dia e abre a venda de queijo, ovo e iogurte, que têm margem e trazem o cliente todo dia.

Faça a conta pela área da sua loja

Digite os metros quadrados de área de venda e corrija os valores por metro para a sua situação: banca usada, ponto que já vendia alimento, loja sem mercearia. Depois marque o nível de frio e se o carro da CEASA entra na conta. O que já vem preenchido é a loja de 60 m² com expositor e câmara pequena, sem carro, que fecha perto de R$ 90 mil.

Banca, frio e balança: onde o dinheiro do hortifruti vai

A banca inclinada define quanto produto fica à vista, e produto escondido não vende. O frio define quantos dias a alface aguenta. A balança define se a fila anda no sábado. Juntos, os três blocos ficam entre R$ 25 mil e R$ 70 mil, conforme o tamanho e o quanto você compra novo.

EquipamentoPreço novoO que olhar antes de comprar
Bancas inclinadas de madeira ou aço para frutas, verduras e legumesR$ 4.000 a R$ 14.000Um módulo de 1 m a cada 1,2 m de parede ou ilha; usada sai pela metade
Gôndolas para mercearia, ovos e temperosR$ 1.500 a R$ 6.000Só se o ponto pedir mercearia junto
Caixas plásticas, cestos e engradadosR$ 800 a R$ 2.500De 60 a 120 caixas para 60 m²: exposição, transporte e estoque
Expositor refrigerado aberto de 1,5 a 2 mR$ 6.000 a R$ 14.000É o que mais reduz a quebra das folhas
Câmara fria pequena ou geladeira industrial de 4 portasR$ 5.000 a R$ 20.000Guarda a compra da CEASA por mais dias; dá para começar sem
Balança etiquetadora de bancaR$ 2.000 a R$ 4.500O cliente pesa, a etiqueta sai com código de barras, o caixa só lê
Balança de checkout ligada ao PDVR$ 900 a R$ 2.000Pesa no caixa e manda o valor direto para a venda
Caixa completo: computador, impressora de cupom, leitor e gavetaR$ 2.500 a R$ 5.000Até 80 m² um caixa dá conta; o sistema é mensalidade à parte
Iluminação, ventilação, câmeras, nobreak e letreiroR$ 3.500 a R$ 11.000Luz branca sobre a banca vende; calor sobre a banca murcha
Equipamentos de um hortifruti de bairro e faixas de preço de mercado.

Balança e caixa da mesma conversa

Balança de uma marca e PDV de outra, sem se falarem, é a compra que o hortifruti novo mais se arrepende. O operador lê o valor na balança e digita no caixa; um dígito trocado vira diferença no fechamento e quilo saindo sem baixa. Antes de pagar, confirme que a etiqueta da banca é lida pelo PDV e que a balança de checkout envia o peso para a venda. Como isso funciona está em como vender por peso.

Piso lavável, pia e tomada do frio: a reforma do hortifruti

A reforma do hortifruti custa mais que a de uma loja de roupa e menos que a de um açougue. O que encarece é a exigência sanitária: piso e parede laváveis na área de alimentos, ponto de água para higienizar folha e caixa, e circuito elétrico próprio para a refrigeração.

Um ponto que já foi comércio de alimentos gasta R$ 80 a R$ 120 por m² em pintura, luz e fachada. Um que era escritório ou loja seca gasta R$ 250 a R$ 350 por m², porque precisa de piso, pia, ralo e quadro de energia novos.

  • Fachada, toldo e banca na calçada: a fruta na porta é o melhor anúncio do hortifruti, onde a prefeitura permite.
  • Luz branca e ventilação: luz fria uniforme realça a cor; calor sobre a banca murcha a folha antes das seis.
  • Recebimento e higienização: pia, bancada e um canto para as caixas da CEASA fora do corredor do cliente.
  • Elétrica e rede: circuito separado para expositor e câmara, tomada e internet para o PDV e a etiquetadora, nobreak no caixa.

CNAE 4724-5/00, inscrição estadual e licença sanitária

O hortifruti abre com um CNPJ no CNAE 4724-5/00 (comércio varejista de hortifrutigranjeiros), a inscrição estadual para emitir nota de produto, o alvará da prefeitura e a licença da vigilância sanitária, porque vende alimento. Se entrar frio, laticínio ou ovo, a vigilância pede mais: temperatura controlada e procedência. Contador, taxas, licença e certificado digital somam R$ 800 a R$ 4.500.

  1. 1CNPJ: no Portal do Empreendedor se for MEI, ou pelo contador se for ME no Simples, sempre com o 4724-5/00 como atividade principal e o 4712-1/00 como secundário quando houver mercearia.
  2. 2Inscrição estadual na Sefaz: é ela que libera a NFC-e no caixa. O caminho está em inscrição estadual: como conseguir.
  3. 3Certificado A1, que custa de R$ 150 a R$ 300 ao ano, e o credenciamento da NFC-e na Sefaz.
  4. 4Alvará na prefeitura e vistoria da vigilância agendada antes de encher a banca: a licença costuma ser exigida para abrir, não depois.
  5. 5Bombeiros conforme a regra do estado; loja pequena costuma ter declaração simplificada.

Quitandeiro MEI: cabe, mas o teto chega rápido

O CNAE 4724-5/00 está na lista do MEI como "quitandeiro(a) independente" e "verdureiro independente", no Anexo XI da Resolução CGSN nº 140/2018. Nesse regime o dono paga o DAS fixo todo mês, contrata até um funcionário e tem teto de R$ 81 mil por ano de faturamento, segundo a página do gov.br sobre o recolhimento do MEI. Para a quitanda de 30 m² que vende R$ 5 mil ou R$ 6 mil por mês, cabe, e o bloco de abertura fica abaixo de R$ 1.000.

Só que hortifruti vende muito volume com preço baixo. Uma loja de 60 m² com movimento normal fatura R$ 25 mil a R$ 40 mil por mês e estoura os R$ 81 mil em três meses. Quando a conta do ano estoura o limite, o caminho é nascer como ME no Simples Nacional: o 4724-5/00 cai no Anexo I, com alíquota que começa em 4%. A conta dos dois regimes está em MEI ou ME: quando migrar. Inscrição estadual e licença sanitária valem para os dois.

A primeira compra na CEASA: pouco e sempre

A primeira compra de um hortifruti de 60 m² fica entre R$ 6 mil e R$ 15 mil. A regra é comprar pouco e comprar sempre: dois a três dias de fruta e legume, um dia de folha, e mercearia só se o ponto pedir. O que não pode faltar é o que o bairro leva toda semana: banana, tomate, cebola, batata, alface, limão, laranja, maçã, cenoura e cheiro-verde.

GrupoFaixa para 60 m²Ritmo de compra
Frutas (banana, maçã, laranja, mamão, uva, manga, limão)R$ 2.500 a R$ 6.000CEASA ou distribuidor 2 a 3 vezes por semana; gira em dias
Verduras, folhas e legumes (alface, couve, tomate, cebola, batata, cenoura)R$ 1.500 a R$ 4.000Folha todo dia ou dia sim, dia não; legume e raiz 2 vezes por semana
Mercearia básica, ovos, temperos e grãosR$ 1.500 a R$ 6.000Só se o ponto pedir; gira devagar, negocie prazo
Frios, laticínios e polpas (com refrigeração)R$ 0 a R$ 4.000O distribuidor entrega; compra semanal
Sacolas, etiquetas da balança, bobina de cupom e embalagensR$ 300 a R$ 1.200O rolo de etiqueta térmica acaba toda semana
A primeira compra de um hortifruti de 60 m², por grupo de produto.

Pese tudo no recebimento. A caixa de 20 kg da nota chega com 19 kg ou 19,5 kg, e essa diferença é a primeira perda do hortifruti, antes de a banca existir.

Coloque a quebra no preço. Folha perde 15% a 25% do que compra, fruta madura 8% a 15%, raiz e legume 3% a 8%. A calculadora que embute a perda no preço por quilo está em como precificar frutas e verduras.

Três meses de contas com a CEASA à vista

Capital de giro é o dinheiro que paga aluguel, luz, salário e as compras da semana enquanto o bairro ainda está descobrindo a loja. No hortifruti a reserva de 3 meses vale dobrado: a CEASA recebe à vista e o cartão paga em 30 dias. Para 60 m², são R$ 20 mil a R$ 35 mil fora do dinheiro da obra e do equipamento.

Conta do mêsFaixa
Aluguel do ponto (esquina ou rua de passagem)R$ 1.500 a R$ 5.000
Cada funcionário, com salário e encargosR$ 2.200 a R$ 3.200
Energia elétrica (refrigeração ligada 24 h)R$ 500 a R$ 2.000
Água e internetR$ 150 a R$ 500
Combustível ou frete da CEASAR$ 300 a R$ 1.500
Sistema de gestão (PDV, balança, NFC-e)R$ 100 a R$ 300
DAS do MEI ou honorário do contadorR$ 80 a R$ 700
Sacolas, etiquetas, embalagens, limpeza e manutençãoR$ 250 a R$ 800
Taxa da maquininha, de 1,5% a 3% das vendas no cartãoR$ 300 a R$ 1.000
Contas fixas de um hortifruti de bairro em operação.

Com dois funcionários, as contas fixas de 60 m² somam R$ 7 mil a R$ 12 mil por mês. A reserva certa depende de dois prazos, o que você leva para pagar o fornecedor (zero, na CEASA) e o que o cartão leva para pagar você; a conta está em capital de giro.

Volume alto, tíquete baixo: quanto sobra no fim do mês

Um hortifruti de 50 a 80 m² costuma faturar entre R$ 25 mil e R$ 60 mil por mês, com margem bruta de 30% a 45% antes da quebra e lucro líquido de 6% a 12% do faturamento. O tíquete é baixo, R$ 20 a R$ 40, e o que sustenta a loja é a quantidade de gente por dia e a mercadoria comprada na segunda vendida até quarta. O retorno do investimento fica entre 18 e 36 meses quando o ponto tem passagem e a quebra está sob controle.

O faturamento que empata as contas sai de uma conta curta: contas fixas divididas pela margem de contribuição, que é a fatia da venda que fica depois de pagar mercadoria, quebra, imposto e cartão. Digamos R$ 9 mil de conta fixa e 28% de margem de contribuição: a banca precisa passar R$ 32 mil por mês pela balança antes de dar um real de lucro. É o ponto de equilíbrio, e ele tem que caber no movimento da rua antes do aluguel.

A margem se decide na perda. No índice de eficiência operacional da ABRAS de 2025, frutas, legumes e verduras aparecem entre as áreas mais sensíveis do varejo alimentar.

Cada grupo paga uma conta diferente

Folhas e temperos: markup de 50% a 80%, quebra alta. Fruta de época: 35% a 60%. Legume e raiz: 30% a 45%. Frios, ovos e laticínios: 20% a 35%, quebra baixa e cliente todo dia. Mercearia: 15% a 25%. A banana traz o cliente; o queijo e o cheiro-verde pagam o aluguel.

Planilha para orçar com as suas cotações da CEASA

A planilha de investimento do hortifruti (Excel) lista os itens deste texto, cada um com a faixa de referência ao lado de uma coluna em branco para o preço que você conseguiu. Frio e carro ficam marcados como opcionais, e uma aba separada cuida das contas do mês. Subtotal, capital de giro, total, custo por m² e venda mínima para empatar saem calculados.

Antes de montar a primeira banca

  1. 1Conte a passagem de gente e os concorrentes (mercado, sacolão, feira) num raio de 500 metros: hortifruti é compra de caminho, não de destino.
  2. 2Escolha MEI ou ME pela projeção de volume do ano, não pela média do primeiro mês.
  3. 3Abra o CNPJ no 4724-5/00, peça a inscrição estadual, compre o certificado A1 e credencie a NFC-e.
  4. 4Agende a vistoria da vigilância com piso, pia e refrigeração prontos: a licença sai antes da inauguração.
  5. 5Cote banca, expositor e câmara em três fornecedores, novo e usado, com frete, instalação e a conta de luz.
  6. 6Compre etiquetadora e balança de checkout que conversem com o PDV, e teste a etiqueta no leitor antes do primeiro dia.
  7. 7Faça a primeira compra para 2 ou 3 dias, pese no recebimento e cadastre por quilo com a quebra no preço.
  8. 8Separe o capital de giro em conta apartada, porque a CEASA não vende a prazo.

Para ver balança integrada, etiqueta lida no caixa e NFC-e por quilo funcionando, a página do VendaSimples para mercados e hortifrutis mostra o sistema na rotina da loja.

Perguntas frequentes sobre o investimento para abrir um hortifruti

Precisa de câmara fria para começar um hortifruti?

Não. Uma quitanda de 30 a 40 m² abre só com banca, balança e caixa, comprando folha todo dia. A câmara entra quando a loja quer comprar para mais dias ou vender frios e laticínios. O expositor refrigerado aberto costuma vir antes dela, porque é o que mais reduz a quebra das folhas.

Dá para abrir hortifruti sem carro para a CEASA?

Dá. Distribuidores e atacadistas entregam na loja, e o frete entra na conta mensal (R$ 300 a R$ 1.500). O carro próprio compensa quando a loja compra duas ou três vezes por semana e o frete passa a custar mais que a parcela de um utilitário usado.

Hortifruti precisa de licença da vigilância sanitária?

Na maioria dos municípios, sim. Hortifruti é comércio de alimentos, e a vigilância vistoria piso e parede laváveis, pia, controle de pragas e boas práticas antes de liberar. Vender frios, laticínios e ovos aumenta a exigência. Confirme na vigilância da sua cidade antes de reformar.

Quanto de estoque inicial precisa um hortifruti?

De R$ 6 mil a R$ 15 mil para 60 m², menos que em outros varejos, porque a mercadoria gira em dias. O dinheiro que pesa é o capital de giro: a CEASA vende à vista e a compra se repete 2 ou 3 vezes por semana.

Hortifruti dá lucro?

Dá, quando o ponto tem passagem, a quebra total fica abaixo de 10% e o preço por quilo embute a perda. Uma loja de 50 a 80 m² fatura de R$ 25 mil a R$ 60 mil por mês, com lucro líquido de 6% a 12% e retorno entre 18 e 36 meses.

Antes de assinar qualquer coisa, passe uma terça de madrugada na CEASA da sua cidade e volte pela rua onde pretende abrir, contando quem passa a pé. O preço da caixa e o movimento da calçada são os dois números que a planilha não inventa por você. Com eles, a conta item a item vira o orçamento da sua loja.

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