Estoque

Custo médio ponderado ou reposição: qual vai na etiqueta

Entenda por que o custo que o sistema mostra no cadastro não é o custo que deve formar o preço quando o fornecedor sobe, e calcule os dois números.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Dono de mercadinho conferindo a nota do fornecedor ao lado da prateleira com a etiqueta de preço na mão, ilustrando custo médio ponderado e custo de reposição
Neste artigo

Chegou a nota do fornecedor e o produto que custava R$ 8 veio a R$ 10. Você dá entrada, abre o cadastro e o sistema mostra R$ 9,20, nem o preço velho nem o novo. Esse número é o custo médio ponderado, e ele serve para medir o lucro. Para a etiqueta, o custo que vale é o da próxima compra, e a conta dos dois está abaixo.

O que é custo médio ponderado e para que ele serve

É o custo de cada unidade em estoque calculado como média do que você pagou por todas elas, pesada pela quantidade de cada compra. A cada nota que entra, o sistema refaz a média: soma o que já tinha em estoque, a preço antigo, com o que entrou, a preço novo, e divide pelo total de unidades.

Ele serve para uma coisa: dizer quanto custou o que você vendeu. É o número que alimenta o CMV e, portanto, o lucro do mês no relatório. A norma contábil brasileira de estoques, o CPC 16, aceita o custo médio ponderado e o PEPS (o primeiro que entra é o primeiro que sai). O UEPS, que usaria sempre o último preço, não é aceito. Por isso o seu contador e o seu sistema trabalham com a média.

A compra que subiu de preço, em duas linhas

Digamos um produto qualquer do mercadinho. Você tem 40 unidades que custaram R$ 8 cada, e chega uma compra de 60 unidades a R$ 10. A etiqueta hoje está em R$ 14. Os números são de exemplo, redondos de propósito.

LinhaQuantidadeCusto por unidadeTotal
Estoque antes da nota40 unR$ 8,00R$ 320
Compra nova60 unR$ 10,00R$ 600
Estoque depois da nota100 unR$ 9,20 (custo médio)R$ 920
Custo de reposiçãoa próxima compraR$ 10,00o preço da última nota
A entrada da nota e o que acontece com o custo do produto (exemplo hipotético)

A média é R$ 920 dividido por 100, R$ 9,20. É um número verdadeiro: foi isso que você pagou, em média, pelas unidades que estão na prateleira. O que ele não diz é quanto vai custar repor a unidade que você vender hoje. Essa resposta é R$ 10, e não existe compra futura a R$ 9,20.

Exemplo do balcão

A etiqueta de R$ 14 foi feita sobre o custo de R$ 8, com markup de 1,75 vezes. Se você refizer o preço sobre a média de R$ 9,20, a etiqueta vai para R$ 16,10. Se refizer sobre a reposição de R$ 10, vai para R$ 17,50. São R$ 1,40 por unidade de diferença, R$ 140 nas 100 unidades, e a diferença se repete em toda compra enquanto o preço do fornecedor estiver subindo.

Por que a etiqueta usa o custo de reposição

Porque o dinheiro que entra no caixa hoje é o que vai pagar a próxima nota, e a próxima nota vem a R$ 10. Se a etiqueta cobre a média, as 40 unidades antigas pagam a reposição com folga e as 60 novas pagam com aperto. No fim do lote, você recomprou 100 unidades com menos dinheiro do que precisava.

Pense na banca de frutas: o preço da banana na prateleira muda no dia em que o preço do Ceasa muda, não quando a última caixa antiga acaba. Loja de material de construção faz o mesmo com cimento, e loja de autopeça com o óleo. Quem vende produto de preço estável esquece disso, porque a média e a reposição ficam iguais durante meses. Quando o fornecedor sobe, elas descolam.

A regra, então, tem dois lados. O custo médio fica no cadastro e mede o lucro do que já foi vendido. O custo de reposição, que é o custo da última nota com frete e imposto, forma o preço do que ainda vai ser vendido. Os dois moram no mesmo cadastro de produto e respondem a perguntas diferentes.

Calcule os dois custos do seu produto

Coloque quantas unidades você tem, o custo médio que o cadastro mostra, a compra nova com o preço da nota e a etiqueta de hoje. A calculadora devolve o novo custo médio, o preço que a reposição pede mantendo o seu markup e o preço que sairia pela média. Mostra também quanto o estoque antigo gera de lucro que só existe no papel.

Se a diferença por unidade entre os dois preços deu centavos, o produto não exige pressa: ajuste na próxima troca de etiqueta. Se deu mais de 5% do preço, troque a etiqueta no dia da entrada da nota. Vale a pena olhar antes para quanto o reajuste de preço pode ser repassado de uma vez e quanto precisa ser escalonado.

O lucro de papel: o que o relatório mostra e o caixa não tem

Volte ao exemplo. Você troca a etiqueta para R$ 17,50 e vende as 100 unidades. O relatório mostra R$ 8,30 de lucro bruto em cada uma, porque usa o custo médio de R$ 9,20. Só que repor cada uma custa R$ 10. Dos R$ 8,30, R$ 0,80 não são lucro: são a diferença entre o que você pagou, em média, e o que vai pagar de novo.

Isso dá R$ 80 nas 100 unidades, exatamente os R$ 2 de aumento vezes as 40 unidades compradas no preço antigo. Parece pouco, e é pouco num produto. Numa loja com 2 mil itens no cadastro e fornecedor reajustando a cada trimestre, o lucro de papel do mês vira um número com três zeros. E ele some na hora em que a próxima leva de notas entra. É por isso que loja com relatório no azul fica sem caixa para comprar.

  • O que fazer com o lucro de papel: deixar no caixa. Ele já tem dono, que é o fornecedor da próxima compra.
  • O que não fazer: tirar como pró-labore ou usar para comprar outra linha de produto. O relatório não avisa que aquele lucro é emprestado.
  • Como enxergar: no fim do mês, compare o custo médio de cada produto com o custo da última nota. Onde a última nota estiver acima da média, a diferença vezes o estoque é o seu lucro de papel.

Quando o custo cai, o erro é ao contrário

Fornecedor que baixa o preço faz a mesma conta funcionar invertida. A média fica acima da reposição e o relatório mostra lucro menor do que o real. A etiqueta demora a cair porque o dono olha o custo do cadastro e acha que não tem margem para baixar. Enquanto isso, o concorrente que compra na mesma distribuidora já baixou.

Em produto de preço que oscila, como o custo real do produto inclui frete e imposto que também mudam, o jeito é olhar a última nota a cada entrada e perguntar: a etiqueta ainda cobre a próxima compra com a margem que eu quero? Se cobre com folga, dá para baixar e ganhar venda. Se não cobre, sobe no mesmo dia.

Como o sistema calcula o custo médio na entrada da nota

O cálculo acontece no lançamento da nota fiscal de entrada, e só sai certo se dois dados estiverem certos: a quantidade que já havia em estoque e o custo unitário da nota, incluindo frete e imposto rateados. Estoque errado antes da nota gera média errada depois dela, e não há etiqueta que conserte isso.

Por isso a conta deste post depende do controle de estoque estar em dia: contagem batendo com o sistema e toda saída passando pelo caixa. Com isso feito, o cadastro guarda os dois custos e a tela de preço mostra a margem por cada um. Num mercadinho, onde o fornecedor muda o preço toda semana, essa tela é a diferença entre reajustar na hora e descobrir no fim do mês.

A entrada por XML e a tela de preço com os dois custos estão nos planos desde o menor, sem cobrança por nota. O custo da última compra fica gravado no produto mesmo quando a média muda.

Hoje, pegue a última nota que entrou e compare o custo de três produtos com o custo médio do cadastro. Onde a nota estiver acima, refaça a etiqueta sobre a nota, não sobre a média, e deixe no caixa o que o estoque antigo vai render a mais. Com os dois custos no cadastro, essa comparação passa a sair sozinha a cada entrada.

Tags:Custo médioPrecificaçãoCusto de reposiçãoEntrada de notaMargemEstoque
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