Reajuste de preço: como repassar aumento de custo (2026)
O fornecedor aumentou e o seu preço ficou parado: a cada venda, a margem encolhe em silêncio. Este guia mostra a conta do repasse (com calculadora), quando repassar tudo, absorver ou escalonar, e como avisar o cliente sem pedir desculpa.

Neste artigo
O reajuste de preço é a conta que o lojista mais adia, e a que mais cobra pelo atraso. O fornecedor sobe o cimento, o tecido ou a peça em 10%, a loja segura o preço "para não assustar o cliente", e a margem encolhe em silêncio a cada venda. Semanas depois, o caixa aperta e ninguém sabe apontar o motivo. A boa notícia: reajustar preço é conta, não coragem. Neste guia você vai ver quando reajustar, a fórmula do repasse com exemplo numérico, uma calculadora para aplicar nos seus produtos, uma tabela de decisão entre repassar, absorver ou escalonar, e um modelo pronto de aviso para o cliente.
Quando reajustar os preços?
Reajuste o preço sempre que o custo real do produto subir de forma permanente, e não só uma vez por ano. Aumento de tabela do fornecedor, frete mais caro, imposto novo ou taxa de cartão maior são gatilhos imediatos: cada dia com o preço antigo é margem perdida. Já pico pontual de custo (uma compra emergencial fora do fornecedor habitual) pode ser absorvido sem mexer na etiqueta. A referência de inflação ajuda a enxergar o cenário: o Banco Central explica como a inflação corrói preços e custos ao longo do tempo. Mas a régua do reajuste é o seu custo, não o índice do jornal: quem reajusta "pelo IPCA" com o fornecedor subindo 15% está financiando a diferença do próprio bolso.
Como calcular o reajuste de preço
A primeira regra: reajuste se calcula sobre o custo real (compra + frete + perdas), nunca de cabeça. A segunda: existem duas contas possíveis, e você precisa escolher qual margem quer defender. Para manter a margem em percentual, o preço novo acompanha o aumento do custo na mesma proporção: preço novo = preço atual × (custo novo ÷ custo antigo). Se o custo subiu 10%, o preço sobe 10%. Para manter o lucro em reais, você repassa só a diferença de custo corrigida pelas despesas da venda: preço novo = preço atual + (custo novo − custo antigo) ÷ (1 − despesas%). O aumento em percentual fica menor, o cliente sente menos, mas a margem em % cai um pouco.
Exemplo com números redondos: um produto custava R$ 10, o preço de venda é R$ 20 e as despesas da venda (impostos + cartão) somam 10%. O lucro é R$ 8 por venda, margem de 40%. O fornecedor sobe o custo para R$ 12. Sem reajuste, o lucro cai para R$ 6 e a margem para 30%: você perdeu um quarto do lucro sem mexer em nada. Mantendo a margem de 40%, o preço novo é R$ 24. Mantendo o lucro de R$ 8, o preço novo é R$ 22,22. Qualquer um dos dois é decisão consciente. Preço parado é a única opção sem defesa. Se você ainda não sabe o custo real dos seus itens, comece pelo guia de custo real do produto e depois volte para a conta do reajuste.
Calcule o reajuste do seu produto
Preencha com o custo antigo, o custo novo e o preço atual de um produto seu. A calculadora devolve o preço novo nas duas estratégias e mostra o que acontece com a margem se você não reajustar nada:
Repassar tudo, absorver ou escalonar: tabela de decisão
Nem todo aumento pede o mesmo remédio. A decisão cruza o tamanho do aumento, a sensibilidade do cliente àquele item e a posição da concorrência:
| Situação | Estratégia | Como fazer na prática |
|---|---|---|
| Aumento pequeno (até ~5%) em item de giro | Repassar direto | Atualize o preço na próxima reposição. Aumento pequeno e frequente desgasta menos que um salto anual. |
| Aumento forte (10% ou mais) em item sensível, que o cliente compara | Escalonar | Repasse em 2 ou 3 etapas ao longo de semanas, começando já. Segurar tudo para depois obriga um salto que o cliente nota. |
| Aumento em item que só você tem na região | Repassar direto | Sem comparação direta, o repasse integral defende a margem sem risco relevante de perder a venda. |
| Aumento pontual (compra emergencial, câmbio de uma semana) | Absorver por ora | Segure o preço e marque revisão em 30 dias. Se o custo novo virar permanente, repasse. |
| Concorrente segurou o preço e você não sabe até quando | Escalonar + observar | Suba parte agora e acompanhe. Concorrente vendendo abaixo do custo não sustenta por muito tempo. |
| Item isca (o cliente vem por ele) | Absorver no item, compensar no mix | Mantenha o preço da isca e recomponha a margem nos itens comprados junto. |
Cuidado com o reajuste seletivo demais
Como comunicar o reajuste aos clientes
No varejo de balcão, a maioria dos reajustes não precisa de comunicado: o preço da etiqueta muda e a vida segue. A conversa é necessária com cliente de compra recorrente: o pedreiro do fiado, a empresa que compra todo mês, o cliente de orçamento aberto. Com eles, três regras. Avise antes de valer, com prazo curto (uma ou duas semanas). Diga o motivo real em uma frase, sem pedir desculpa: aumento de custo é fato da vida comercial, não falha sua. E honre orçamento já aprovado até a validade que você mesmo deu, porque credibilidade vale mais que uma venda. Quem mantém a conta do cliente organizada no controle de fiado sabe exatamente quem precisa do aviso.
Modelo pronto de aviso de reajuste
Os erros que destroem margem no reajuste
- Reajustar de cabeça, sem o custo real: quem não soma frete, perda e taxa de cartão repassa menos do que o custo subiu e acha que reajustou.
- Esperar "um momento melhor": cada semana de preço velho com custo novo é lucro que não volta. O momento certo é a próxima reposição.
- Reajustar tudo em percentual único: aplicar 10% linear no mix inteiro ignora que cada item tem margem e concorrência próprias.
- Arredondar para baixo por medo: R$ 24,00 virar R$ 22,90 "para ficar bonito" é dar desconto permanente sem ninguém ter pedido. A conta do desconto está no guia de como dar desconto sem ter prejuízo.
- Não registrar a data e o motivo: sem histórico, na próxima alta do fornecedor você não sabe se aquele item já foi reajustado ou não.
Como saber se o reajuste funcionou
Reajuste não termina na etiqueta nova. Nas 4 a 6 semanas seguintes, acompanhe três números. A margem por item: ela voltou ao patamar que você definiu? A quantidade vendida: caiu além do normal ou o cliente nem sentiu? E o giro da categoria: se o produto encalhou, o problema pode ser o degrau do aumento, e o escalonamento resolve na próxima rodada. Fazer esse acompanhamento em planilha, item a item, não se sustenta. Com um sistema de gestão que registra custo na entrada e margem na venda, o reajuste vira rotina de minutos: o relatório aponta quais itens estão vendendo abaixo da margem mínima e a loja corrige antes de o caixa sentir. Esse é o mesmo controle que alimenta o controle de estoque bem feito, e que faz diferença dobrada em segmento de custo volátil, como os materiais de construção.
Perguntas frequentes sobre reajuste de preço
Como calcular reajuste de preço com porcentagem?
Para manter a margem em percentual, aplique sobre o preço atual o mesmo percentual de aumento do custo: preço novo = preço atual × (custo novo ÷ custo antigo). Se o custo subiu de R$ 10 para R$ 12 (20%), um preço de R$ 20 vai para R$ 24. Para repassar só a diferença em reais, some ao preço atual a diferença de custo dividida por (1 − despesas da venda).
Preciso avisar o cliente antes de reajustar o preço?
Na venda de balcão comum, não: o preço exposto na etiqueta é o que vale na hora da compra. O aviso é boa prática com clientes recorrentes, de fiado ou de contrato, e orçamento já aprovado deve ser honrado até a validade informada. Aviso prévio curto, com data e motivo, preserva a relação.
Qual índice usar para reajustar preços na loja?
Nenhum índice substitui o seu custo real. IPCA e IGP-M servem de pano de fundo para contratos e para entender o cenário, mas o reajuste do varejo se calcula sobre o aumento efetivo do fornecedor, do frete e das taxas. Reajustar pelo índice quando o custo subiu mais é perder margem com aparência de critério.
De quanto em quanto tempo devo revisar os preços?
Revise a cada reposição de mercadoria, porque é quando o custo novo entra na loja, e faça uma varredura geral por categoria a cada 3 meses. Aumentos pequenos e frequentes desgastam menos o cliente e protegem mais a margem do que um reajuste grande represado no fim do ano.
Reajustar preço não é aumentar lucro: é impedir que o aumento dos outros vire prejuízo seu. A loja que conhece o custo real de cada item, escolhe qual margem defender e comunica com transparência atravessa qualquer alta de fornecedor com o caixa saudável. Com um preço de venda bem calculado na largada e um sistema de gestão mostrando a margem de cada venda, o reajuste deixa de ser drama anual e vira o que sempre deveria ter sido: manutenção de rotina.
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