Como calcular o CMV da loja: fórmula e calculadora (2026)
O CMV diz quanto custou a mercadoria que saiu da prateleira. É a conta que separa faturamento de lucro. Veja a fórmula, calcule o da sua loja e aprenda a interpretar o resultado.

Neste artigo
Saber como calcular o CMV (custo da mercadoria vendida) é o que separa o lojista que conhece o próprio lucro do lojista que só conhece o próprio faturamento. O CMV responde uma pergunta simples: quanto custou, a preço de compra, a mercadoria que saiu da prateleira no mês? Sem esse número, a margem é chute, a promoção é aposta e o fim do mês é surpresa. Neste guia você vai ver a fórmula, um exemplo passo a passo com números reais de loja, uma calculadora pronta para usar com os seus dados e, principalmente, o que fazer quando o resultado vem alto demais.
O que é CMV e por que ele decide o seu lucro
O CMV é o custo de aquisição da mercadoria que a loja efetivamente vendeu num período. Ele não olha para o que você comprou, e sim para o que saiu do estoque pelas vendas. Essa diferença importa: comprar R$ 20.000 em mercadoria no mês não significa que o custo do mês foi R$ 20.000, porque parte disso ainda está na prateleira. O CMV é a primeira coisa que se desconta do faturamento para chegar ao lucro bruto. Se ele come 70% da receita, sobram 30% para pagar aluguel, funcionário, imposto, taxa de cartão e, só então, o seu lucro. Por isso o varejo trata o CMV como o indicador número 1 de saúde da operação, como mostram os materiais de gestão do Sebrae.
Qual é a fórmula do CMV?
A fórmula do CMV é: CMV = estoque inicial + compras − estoque final. O estoque inicial é o valor da mercadoria (a custo) no começo do período, as compras são tudo que entrou para revenda no período, e o estoque final é o que sobrou na contagem do fim do período. O resultado é o custo da mercadoria que saiu pelas vendas.
Sempre a custo, nunca a preço de venda
Como calcular o CMV em 5 passos (com exemplo)
Vamos calcular o CMV de julho de um mercadinho de bairro. A rotina é a mesma para loja de roupa, autopeça, papelaria ou qualquer varejo físico:
- 1Defina o período. O mais comum é o mês fechado: 1º a 31 de julho.
- 2Apure o estoque inicial. No dia 1º, o estoque valia R$ 45.000 a custo. Esse número vem do fechamento do mês anterior (o estoque final de junho é o inicial de julho).
- 3Some as compras do período. Em julho entraram R$ 28.000 em mercadoria para revenda, já com frete.
- 4Apure o estoque final. No dia 31, a contagem apontou R$ 43.000 a custo. O ideal é confirmar com inventário, não confiar só no saldo teórico.
- 5Aplique a fórmula. CMV = 45.000 + 28.000 − 43.000 = R$ 30.000. Foi isso que custou a mercadoria vendida em julho.
Se esse mercadinho faturou R$ 50.000 em julho, o CMV representa 60% da receita e a margem bruta foi de R$ 20.000 (40%). É com esses 40% que a loja paga todas as despesas fixas e forma o lucro. Repare que a conta só é confiável se o estoque final for real: contagem errada empurra custo de um mês para o outro e esconde perda e furto. O guia de inventário de estoque mostra como fazer essa contagem sem fechar a loja.
Calcule o CMV da sua loja
Use a calculadora abaixo com os números do seu último mês fechado. Preencha também o faturamento para ver o CMV em percentual e a margem bruta que sobrou:
CMV em percentual: como interpretar o resultado
O CMV em reais diz pouco sozinho: R$ 30.000 de CMV é ótimo para quem fatura R$ 60.000 e desastroso para quem fatura R$ 35.000. Por isso o número que se acompanha mês a mês é o CMV percentual: CMV dividido pelo faturamento, vezes 100. Ele mostra quantos centavos de cada real vendido foram embora pagando a mercadoria. A leitura é direta: CMV% subindo sem aumento de venda significa margem encolhendo, e a causa costuma estar em compra mais cara, perda, furto ou desconto demais no balcão.
Qual o CMV ideal para o varejo?
Não existe um número único: o CMV ideal depende do giro e da margem praticada em cada segmento. No varejo físico, a faixa saudável costuma ficar entre 50% e 70% do faturamento. Alimentação e mercado operam na parte alta da faixa (margem menor, giro alto), enquanto moda e acessórios operam na parte baixa (margem maior, giro menor). Mais importante que perseguir um número de tabela é comparar a sua loja com ela mesma: apure o CMV% todo mês e investigue qualquer salto. Se a sua margem por produto já está certa (veja o guia de custo real do produto), o CMV% do mês deveria ficar estável.
O que entra e o que não entra no cálculo
| Entra no CMV | Não entra no CMV |
|---|---|
| Custo de compra da mercadoria revendida | Aluguel, luz, internet e demais despesas fixas |
| Frete das compras (CIF ou FOB pago por você) | Salários e pró-labore |
| Impostos de compra não recuperáveis | Taxa de maquininha e comissões de venda |
| Perdas e quebras de mercadoria (saem do estoque sem virar venda) | Marketing, contador e mensalidade de sistema |
Um detalhe que muda a leitura: perda, furto e quebra reduzem o estoque final e, por consequência, engordam o CMV sem gerar nenhuma receita. É por isso que uma loja com controle de estoque frouxo vê o CMV% subir sem explicação. Se a diferença entre o saldo teórico e a contagem é recorrente, o problema não está na compra: está no processo, e o guia completo de controle de estoque é o lugar certo para atacar.
CMV alto: 5 causas comuns e como atacar cada uma
- Compra cara ou sem cotação: renegocie com fornecedores e concentre volume em menos parceiros para ganhar preço. Compare sempre o custo com frete incluso.
- Perda, quebra e furto sem registro: registre toda saída que não é venda com um motivo. O que não é medido entra no CMV disfarçado.
- Desconto sem critério no balcão: desconto reduz a receita e mantém o custo, o que empurra o CMV% para cima. Defina o limite com a conta do desconto sem prejuízo.
- Mix errado: produto de margem baixa vendendo muito e produto de margem alta parado. A curva ABC mostra onde o dinheiro está de verdade.
- Estoque parado demais: mercadoria encalhada envelhece, vira promoção forçada e sai quase a custo. Acompanhe o giro de estoque para comprar no ritmo certo.
CMV, margem bruta e lucro: não confunda os três
O CMV é custo de mercadoria. A margem bruta é o que sobra do faturamento depois do CMV. O lucro líquido é o que sobra da margem bruta depois de todas as despesas da operação. Uma loja pode ter CMV saudável e ainda assim dar prejuízo se as despesas fixas estiverem fora de escala, assim como pode ter CMV alto e compensar no volume. Os três números contam histórias diferentes e se completam. E há ainda um quarto personagem: o dinheiro parado em estoque, que não aparece no CMV mas aperta o caixa. Essa é a conta do capital de giro, que merece um guia próprio.
Como o sistema deixa o CMV sempre atualizado
Calcular CMV na mão, uma vez por mês, já coloca você na frente da maioria. O passo seguinte é deixar a apuração automática: num sistema de gestão de varejo, a compra entra pela nota do fornecedor com custo e frete, a venda baixa o estoque a custo em tempo real e o inventário ajusta as diferenças com motivo registrado. O CMV do período vira um relatório, não um mutirão de calculadora. Para quem opera mercado, hortifruti ou loja de bairro com centenas de itens, como nos sistemas para mercados, essa automação é a diferença entre acompanhar a margem toda semana e descobrir o problema só no fechamento do ano.
Perguntas frequentes sobre como calcular o CMV
Qual é a fórmula do CMV?
CMV = estoque inicial + compras − estoque final. Todos os valores entram a custo de compra (com frete), apurados no mesmo período. O resultado é o custo da mercadoria que saiu do estoque pelas vendas.
Qual o CMV ideal para uma loja?
No varejo físico, a faixa comum vai de 50% a 70% do faturamento, variando por segmento: mercados e alimentação operam mais perto de 70%, moda e acessórios mais perto de 50%. Mais útil que o número de tabela é acompanhar o CMV% da própria loja mês a mês e investigar qualquer alta.
Qual a diferença entre CMV e despesas?
CMV é o custo da mercadoria vendida: só o que você pagou pelos produtos que saíram do estoque. Despesas são os gastos de manter a operação: aluguel, salários, energia, contador, taxas. As duas coisas saem do faturamento, mas em etapas diferentes da conta do lucro.
De quanto em quanto tempo devo calcular o CMV?
No mínimo uma vez por mês, no fechamento. Com um sistema de gestão que baixa estoque a custo em cada venda, o CMV fica disponível em relatório a qualquer momento, o que permite reagir a uma alta de custo na semana em que ela acontece.
Perda e furto entram no CMV?
Na fórmula tradicional, sim, de forma indireta: o que some do estoque reduz o estoque final e infla o CMV. Por isso lojas sem registro de perdas veem o CMV subir sem explicação. Registrar as perdas separadamente mostra quanto do CMV é custo de venda de verdade e quanto é desperdício.
O CMV é a ponte entre vender bem e ganhar dinheiro. A fórmula cabe numa linha, mas ela só funciona com estoque contado, compra lançada e perda registrada. Um sistema de gestão feito para o varejo físico cuida dessa disciplina no automático: cada venda, cada nota de compra e cada ajuste de inventário alimentam o mesmo número. No fim do mês, em vez de montar a conta, você só lê o resultado e decide o que fazer com ele.
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