Custo real do produto: 7 custos invisíveis que comem sua margem
O produto que você compra por R$ 10 não custa R$ 10. Veja os 7 custos invisíveis que entram no custo real e um exemplo de conta completo para aplicar hoje na loja.

Neste artigo
O custo real do produto quase nunca é o valor que está na nota do fornecedor. Entre a compra e a venda entram frete, imposto, taxa de cartão, perda, embalagem e o custo do dinheiro parado na prateleira. Quem precifica olhando só o preço de compra acha que tem 50% de margem e, no fim do mês, não entende por que o lucro não aparece. Este guia lista os 7 custos invisíveis que entram na conta e mostra, com um exemplo numérico completo, como chegar ao custo verdadeiro de cada item da sua loja.
O que é o custo real do produto?
Custo real do produto é tudo o que você gasta para colocar aquele item na mão do cliente: o preço de compra mais os custos que chegam junto com ele (frete, imposto não recuperável), os que acontecem enquanto ele espera na prateleira (perda, dinheiro parado) e os que só aparecem na hora da venda (taxa de cartão, embalagem). É sobre esse número, e não sobre o valor da nota do fornecedor, que a margem deveria ser calculada.
Os 7 custos invisíveis, um por um
| # | Custo invisível | Quanto costuma pesar | Onde se esconde |
|---|---|---|---|
| 1 | Frete e seguro da compra | 2% a 8% do valor da nota | Vem em nota separada ou embutido "de graça" num preço maior |
| 2 | Imposto da operação | varia por regime e produto | ICMS-ST e DIFAL pagos na compra que não voltam para você |
| 3 | Perda e quebra | 1% a 5% do estoque | Vencimento, avaria, furto e erro de conferência |
| 4 | Taxa de cartão e Pix | 1% a 5% da venda | Débito, crédito e parcelado têm taxas diferentes |
| 5 | Embalagem e insumos da venda | R$ 0,10 a R$ 2 por venda | Sacola, caixa, etiqueta, fita, cupom impresso |
| 6 | Custo do dinheiro parado | 1% a 2% ao mês | Estoque comprado com capital que tem custo (ou rendimento perdido) |
| 7 | Inadimplência do fiado | depende da carteira | Venda a prazo no caderninho que nunca volta |
Por que "invisíveis"?
Exemplo completo: o produto de R$ 10 que custa R$ 12,80
Vamos aplicar a conta num item comprado por R$ 10,00 na nota, num cenário comum de loja no Simples Nacional que vende no cartão:
| Item da conta | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Preço de compra (nota) | R$ 10,00 | |
| Frete rateado da compra | 4% × 10,00 | + R$ 0,40 |
| ICMS-ST pago na entrada | 6% × 10,00 | + R$ 0,60 |
| Perda média do estoque | 3% × 10,00 | + R$ 0,30 |
| Embalagem e cupom | por unidade vendida | + R$ 0,20 |
| Custo do dinheiro (2 meses parado a 1,5%/mês) | 3% × 10,00 | + R$ 0,30 |
| Custo real na prateleira | R$ 11,80 | |
| Taxa média de cartão sobre a venda | ~4% do preço de venda de R$ 25,00 | + R$ 1,00 |
| Custo real da venda concluída | R$ 12,80 |
Repare no estrago silencioso: se esse item é vendido a R$ 25,00, o lojista que olha só a nota acha que lucra R$ 15,00 (60% de margem). Na verdade sobram R$ 12,20 antes dos custos fixos da loja (aluguel, luz, salários). A margem real é 49%, onze pontos a menos do que ele imagina. Multiplique essa diferença por todos os itens da loja e está explicado o caixa que "não fecha".
Calcule o custo real dos seus produtos
Faça a mesma conta com os números da sua loja. Preencha o que você conhece (os percentuais sugeridos são um ponto de partida) e veja o custo real e a margem verdadeira:
Como calcular o custo real na sua loja: passo a passo
- 1Comece pela nota de compra: lance o valor unitário de cada item comprado.
- 2Rateie o frete: divida o frete da compra pelo valor total da nota e aplique o percentual sobre cada item.
- 3Some o imposto que não volta: ICMS-ST e DIFAL pagos na entrada fazem parte do custo do item. Confirme com seu contador o que se aplica ao seu regime.
- 4Aplique a taxa de perda: use seu histórico (perdas do trimestre ÷ estoque médio). Sem histórico, comece com 2% e ajuste.
- 5Inclua o custo por venda: embalagem e a taxa média ponderada da maquininha (débito, crédito, Pix, cada um com seu peso nas suas vendas).
- 6Some o custo do dinheiro parado: meses médios em estoque × custo mensal do seu capital.
- 7Recalcule o preço de venda aplicando o markup sobre o custo real, não sobre o valor da nota.
Custo real não é rateio de aluguel
Do custo real ao preço de venda
Com o custo real em mãos, a precificação vira uma conta honesta: aplique o markup sobre R$ 12,80, e não sobre R$ 10,00. A mecânica completa da fórmula (markup divisor, margem sobre venda e a diferença entre os dois) está no guia como calcular o preço de venda. Em segmentos com muito item e concorrência de preço, como materiais de construção, essa diferença entre custo de nota e custo real decide quem lucra na gôndola.
Como manter o custo real atualizado sem virar refém da planilha
O custo real muda toda semana: o fornecedor reajusta, o frete sobe, a taxa da maquininha é renegociada. Manter isso em planilha manual funciona por um mês e depois desatualiza. O caminho sustentável é registrar as compras num controle de estoque que guarde o custo de cada entrada, acompanhe as perdas e recalcule a margem por produto sozinho. Com o custo vivo dentro do sistema, dá para priorizar esforço pelos itens que mais pesam no resultado usando a curva ABC do estoque.
Para se aprofundar em gestão de custos no pequeno varejo, o Sebrae mantém conteúdos e consultorias gratuitas sobre formação de preço. E se quiser ver quanto custa ter esse controle rodando na sua loja, os planos do VendaSimples não cobram por nota emitida nem por venda registrada.
Perguntas frequentes sobre custo real do produto
O que entra no custo real de um produto?
O preço de compra mais frete rateado, impostos não recuperáveis da operação, perda média do estoque, embalagem, taxa de cartão da venda e o custo do capital parado em estoque. É o total gasto para levar o item da nota do fornecedor até a mão do cliente.
Qual a diferença entre custo de compra e custo real?
O custo de compra é o valor unitário na nota do fornecedor. O custo real soma a ele os custos invisíveis (frete, imposto, perda, taxa de cartão, embalagem, dinheiro parado), que juntos costumam adicionar de 10% a 25% ao valor da nota.
Devo incluir aluguel e salários no custo do produto?
Em geral, não no custo unitário. Aluguel e salários são custos fixos da loja e entram na análise de margem de contribuição e ponto de equilíbrio. No custo real do produto entram os custos que variam com o item e com a venda.
Como calcular a perda para incluir no custo?
Divida o valor perdido no período (vencimento, avaria, furto, erro) pelo estoque médio do mesmo período. O resultado é a taxa de perda. Sem histórico, comece com uma estimativa conservadora de 2% e refine conforme o controle de estoque acumular dados.
A taxa do cartão entra no custo do produto?
Sim, como custo da venda. Use a taxa média ponderada das suas formas de recebimento (débito, crédito à vista, parcelado e Pix, cada um com sua taxa e seu peso nas vendas) aplicada sobre o preço de venda.
Precificar em cima do custo real é o que separa margem de ilusão. A boa notícia: nenhum dos 7 custos invisíveis é difícil de medir quando as compras, o estoque e as vendas passam por um sistema de gestão que faz as contas por você. Comece pelo exemplo deste guia, aplique nos seus 10 produtos mais vendidos e veja quanto da sua margem estava escondida.
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