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Quanto cobrar pela entrega no material de construção

Descubra quanto cada entrega custa de verdade, com caminhão, motorista e tempo de descarga, e a partir de que valor de compra compensa não cobrar.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Caminhão pequeno sendo carregado com sacos de cimento na frente de uma loja de material de construção, ilustrando quanto cobrar pela entrega
Neste artigo

O cliente fecha 30 sacos de cimento e pergunta se a entrega está inclusa. O vendedor diz que sim, o caminhão sai com motorista e ajudante, gasta 40 minutos e volta. Quanto cobrar pela entrega é uma conta de custo fixo dividido por viagem mais o quilômetro rodado, e ela quase nunca dá zero. A calculadora abaixo faz a conta com os seus números.

Quanto custa uma entrega, item por item

A entrega tem dois custos que o balcão não enxerga. O fixo existe com o caminhão parado: parcela ou depreciação, seguro, IPVA, salário e encargos de quem dirige e de quem descarrega. O variável só aparece quando a roda gira: combustível, pneu, manutenção e o tempo de carga e descarga. Digamos uma loja com um caminhão pequeno e 60 entregas por mês:

  • Custo fixo do veículo: R$ 1.200 por mês (parcela, seguro e IPVA divididos por 12).
  • Motorista e ajudante: R$ 3.000 por mês, com encargos.
  • Fixo por entrega: (1.200 + 3.000) ÷ 60 = R$ 70.
  • Variável: 12 km de ida e volta × (R$ 6,00 ÷ 8 km/l + R$ 0,25 de manutenção) = R$ 12.
  • Custo de uma entrega: R$ 70 + R$ 12 = R$ 82.

Agora ponha esses R$ 82 numa venda de R$ 300 com 30% de margem bruta. A loja lucrou R$ 90 e gastou R$ 82 para levar: sobraram R$ 8, antes do imposto e da conta de luz. É assim que uma loja de material de construção vende o mês inteiro e não vê o dinheiro. O custo fixo é o maior dos dois, e ele só cai com mais entregas por viagem ou com menos caminhão parado.

Calcule o custo da sua entrega e o pedido mínimo

Troque os números do exemplo pelos da sua loja: o que o caminhão custa parado, quanto custa a equipe, quantas viagens saíram no mês passado e o quilômetro médio. O resultado é o custo de cada entrega, o custo do quilômetro e o valor de compra a partir do qual a entrega grátis cabe na margem.

Por quilômetro, por faixa ou pedido mínimo: como cobrar

Depois de saber o custo, falta escolher a regra que o vendedor consegue explicar no balcão em uma frase. As quatro mais usadas em loja de bairro estão abaixo, com o caso em que cada uma funciona.

ModeloComo funcionaFunciona quandoCuidado
Taxa por faixa de distânciaAté 5 km, um valor; de 5 a 10 km, outro; acima, sob consultaMaioria das lojas de bairro: fácil de explicar e de imprimir na tabelaRever as faixas quando o combustível subir
Por quilômetroTaxa de saída + km rodado × custo do kmEntrega longa e obra fora da cidadeO cliente só sabe o valor no fim: informe antes de fechar
Pedido mínimo com entrega grátisAcima de um valor de compra não cobra; abaixo, cobra a faixaTicket alto: piso, telha, cimento em quantidadeO valor mínimo sai da calculadora, não da placa do concorrente
Rota fixa por dia e bairroEntrega de quinta no bairro tal, taxa menorLoja com um veículo e muitas entregas pequenasO vendedor promete o dia da rota, não "ainda hoje"
Modelos de cobrança de entrega para loja física, quando cada um funciona e o cuidado de cada um

A maioria acaba combinando duas: faixa de distância para o pedido pequeno e entrega grátis acima do mínimo. O que não funciona é a regra que muda conforme quem está atendendo. Se um vendedor cobra R$ 30 e o outro libera de graça, o cliente aprende com quem comprar.

Entrega grátis a partir de quanto?

A partir do valor em que a entrega consome no máximo um terço da margem bruta daquela venda. No exemplo, com custo de R$ 82 e margem de 30%, a venda em que a entrega zera o lucro é R$ 273, e o pedido mínimo confortável fica perto de R$ 820. Abaixo disso, cobra a faixa.

O concorrente que anuncia entrega grátis em qualquer valor ou tem margem maior, ou não fez a conta. Nas duas hipóteses, copiar a regra dele com o seu custo é prejuízo certo. Se quiser competir, compita no pedido mínimo mais baixo para o bairro da loja, onde o quilômetro é curto, e cobre a faixa cheia para o resto da cidade.

Conta rápida no balcão

Imagine o seu Osmar, que tem um depósito de material e entrega grátis acima de R$ 150. Numa venda de R$ 160 com 30% de margem, o lucro é R$ 48 e a entrega custa R$ 82: cada pedido desses tira R$ 34 do caixa. Subindo o mínimo para R$ 500, a mesma entrega passa a caber no lucro de R$ 150 da venda, e o cliente que comprava R$ 160 costuma completar o pedido em vez de ir embora.

Como cobrar a taxa sem perder a venda

  • Fale da taxa antes de fechar, nunca na hora de pagar. Informação clara sobre o preço é direito do consumidor pelo Código de Defesa do Consumidor, e a entrega faz parte do preço. Taxa que aparece no caixa vira reclamação.
  • Ponha a taxa na tabela de preços e no orçamento como item próprio. O cliente aceita melhor "entrega: R$ 25" escrito do que "mais uns vinte e cinco".
  • Ofereça a alternativa. Retira na loja sem taxa, ou entra na rota de quinta com taxa menor. Quem tem escolha reclama menos.
  • Combine antes o adicional de descarga difícil. Terceiro andar sem elevador e obra sem acesso para o caminhão custam o tempo de dois ajudantes.
  • Reveja a tabela quando o combustível mudar. O preço na bomba muda várias vezes por ano, e o levantamento de preços da ANP mostra a média da sua cidade toda semana.

Entrega no orçamento, na nota e na agenda

Cadastre a entrega com preço por faixa, e o vendedor escolhe a faixa no orçamento para o cliente. Quando o orçamento vira venda, a taxa vai junto para o caixa e para a nota, e ninguém esquece de cobrar porque a obra estava com pressa.

Na nota, a entrega cobrada à parte tem tratamento próprio. Quando a própria loja transporta e cobra o frete em separado, o valor entra na base de cálculo do ICMS, pela Lei Complementar 87/1996. Confirme com o contador se, no seu regime, a taxa sai no campo de frete da NF-e ou como item da venda, porque isso muda o imposto da nota.

Agenda de entrega por dia e bairro, comprovante assinado na descarga e o pedido marcado como entregue fecham o ciclo. Num sistema para material de construção, orçamento, venda fracionada e entrega andam no mesmo pedido, e o caixa sabe quanto recebeu de taxa no mês.

Orçamento, NF-e e NFC-e vêm em todos os planos, sem cobrança por nota emitida.

Perguntas rápidas sobre taxa de entrega

O motorista foi e o cliente não estava: cobro a segunda viagem?

Sim, se isso estiver combinado antes, no orçamento ou na tabela. A segunda viagem custa o mesmo que a primeira. Sem aviso prévio, a cobrança vira briga; com o horário confirmado por mensagem, vira regra.

Entrego com o carro do dono. Tem custo mesmo assim?

Tem. Combustível, desgaste e principalmente o tempo do dono fora da loja, que é a hora mais cara do negócio. Rode a calculadora com o custo mensal do carro e uma estimativa do que vale a sua hora.

Posso cobrar entrega de quem pagou à vista?

Pode. Forma de pagamento e entrega são coisas separadas. O que não pode é esconder a taxa até a hora de pagar: ela precisa estar informada antes de o cliente fechar a compra.

Antes de a próxima entrega sair, rode a calculadora com o custo do seu veículo e o número de viagens do mês passado. Se o resultado for maior que a taxa que você cobra hoje, ajuste a tabela esta semana e mude o mínimo da entrega grátis. Com a taxa dentro do orçamento e da nota, cobrar deixa de depender da memória do vendedor.

Tags:Material de construçãoEntregaFretePrecificaçãoDepósito de bebidas
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