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Como precificar materiais de construção: guia prático

Em material de construção, o cimento gira e o acabamento deixa margem. Veja como precificar por categoria, incluir frete e quebra no custo e vender fracionado sem perder dinheiro.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Lojista calculando como precificar materiais de construção na loja
Neste artigo

Saber como precificar materiais de construção é o que separa o depósito que cresce do que vive cheio de cliente e sem dinheiro no caixa. O motivo é a natureza do mix: a mesma loja vende cimento com margem apertada e giro alto, e metais de acabamento com giro lento e margem gorda. Aplicar um markup único na loja inteira, o erro mais comum do segmento, deixa o item de giro caro demais (e o cliente compra no concorrente) e o item de margem barato demais (e a loja deixa lucro na mesa). Neste guia você vai ver o passo a passo para precificar por categoria: custo real com frete e quebra, markup certo, venda fracionada e os números para acompanhar.

VendaSimples para materiais de construção

O VendaSimples tem uma página feita para o seu segmento: conheça o sistema para loja de materiais de construção, com custo por compra, margem por produto e nota fiscal no balcão.

Comece pelo custo real: frete, quebra e perda

O primeiro erro de precificação acontece antes da conta do markup: usar o preço da nota do fornecedor como se fosse o custo. Em material de construção, o custo real quase sempre é maior, porque o produto é pesado, volumoso e frágil. Componha o custo de aquisição somando:

  • Preço de compra do fornecedor (por unidade real: saco, barra, metro, milheiro).
  • Frete rateado por item: em produto pesado como cimento e argamassa, o frete muda o custo de verdade.
  • Quebra e perda: piso que trinca no manuseio, saco que rasga, telha que chega quebrada. Se historicamente 2% se perde, o custo dos que sobram aumenta.
  • Impostos não recuperáveis da compra, conforme o seu regime tributário.

Um sistema que registra a entrada da mercadoria com frete e despesas acessórias calcula esse custo real por item automaticamente. Sem isso, a margem que você acha que tem no papel simplesmente não existe no caixa.

Markup e margem: a conta que sustenta o preço

Com o custo real em mãos, o preço sai da fórmula do markup divisor: preço de venda = custo ÷ (1 − despesas variáveis% − despesas fixas% − lucro desejado%). As despesas variáveis incluem imposto sobre a venda e taxa de cartão; as fixas (aluguel, equipe, energia) entram como percentual médio do faturamento. A conta completa, com exemplos passo a passo, está no guia de como calcular o preço de venda. O ponto que muda no material de construção é que essa fórmula deve ser aplicada por categoria, com percentuais de lucro diferentes, e não com um número único para a loja toda.

Um markup para cada categoria: giro x margem

A lógica é simples: quanto mais o cliente compara o preço de um item, menor a margem que ele aceita; quanto mais o item é comprado por conveniência ou urgência, maior a margem possível. O cimento é o produto que o cliente pesquisa por telefone em três lojas; o fita veda rosca ele leva sem olhar o preço. Uma referência de raciocínio (os números certos são os da sua loja e da sua praça):

Tipo de categoriaExemplosPapel no negócioMargem
Itens de comparação (commodities)Cimento, areia, vergalhão, tijoloTrazer cliente e dar volumeBaixa, preço competitivo
Itens de projetoPiso, revestimento, tinta, louçasCompor o tíquete da obraMédia, negociada por volume
Itens de conveniênciaFerragens, fita, cola, lixa, brocasVenda por urgência e impulsoAlta, o cliente não compara
Acabamento e metaisTorneiras, registros, acessóriosConcentrar o lucroAlta, decisão por estética e marca
Raciocínio de margem por tipo de categoria no depósito

Para descobrir onde cada produto da sua loja se encaixa, cruze a precificação com a curva ABC do estoque: os itens A de giro alto pedem preço afiado e reposição garantida; os itens B e C de margem alta são os que pagam as contas.

Como precificar venda fracionada (metro, quilo, milheiro)

Material de construção vende em unidades que não são "1 peça": fio por metro, corrente por metro, prego por quilo, tijolo por milheiro, areia por saco ou por metro cúbico. Dois cuidados evitam prejuízo. Primeiro, cadastre o produto na unidade em que ele sai (metro, quilo), com o custo convertido para essa unidade, para a margem ser calculada certa. Segundo, a sobra do rolo ou da barra que ninguém compra é perda: embuta esse percentual no custo, como na quebra. Um sistema com unidade de medida por produto e conversão na entrada (compra em rolo de 100 m, venda por metro) faz isso sem conta manual no balcão.

Preço para obra e desconto por volume: até onde ir

No depósito, o pedreiro e o construtor pedem desconto por quantidade, e faz sentido dar: volume dilui custo fixo. O limite de desconto, porém, não pode ser intuição. Com a margem real por item no sistema, você define até onde o vendedor pode chegar em cada categoria sem vender no prejuízo (lembrando que desconto sai da margem, não do custo: 10% de desconto em uma margem de 25% leva embora quase metade do lucro). Regra prática: descontos maiores nos itens de comparação, que já trazem o cliente, e disciplina nos itens de margem, que sustentam o resultado.

Erros de precificação que quebram o depósito

  • Markup único para a loja inteira: encarece o giro e barateia a margem, o pior dos dois mundos.
  • Ignorar frete e quebra no custo: a margem do papel some no caixa.
  • Copiar o preço do concorrente sem conhecer o próprio custo: o concorrente pode estar comprando melhor (ou quebrando).
  • Não reajustar quando o fornecedor sobe: em produto de giro, semanas com preço defasado corroem o lucro do mês.
  • Desconto sem limite definido para fechar a venda da obra: volume alto com margem negativa é só trabalho.

Rotina de preço: acompanhar e reajustar

Precificação não é conta que se faz uma vez: é rotina. Uma vez por semana, olhe o relatório de margem por categoria e os itens cujo custo de reposição subiu desde a última compra. O Sebrae lista a formação de preço de venda entre os pontos mais críticos da gestão do pequeno varejo, e no material de construção ela anda junto com o controle de estoque: sem saber o que você tem e quanto custou, não existe preço certo. Com o custo atualizado a cada entrada de nota, o sistema recalcula a margem e aponta o que precisa de reajuste.

Perguntas frequentes sobre precificar materiais de construção

Qual a margem ideal em uma loja de materiais de construção?

Não existe um número único: itens de comparação como cimento trabalham com margem baixa e giro alto, enquanto acabamento, ferragens e itens de conveniência aceitam margens bem maiores. O caminho é definir a margem por categoria a partir do custo real e da concorrência local.

Como incluir o frete no preço do material?

Rateie o valor do frete da compra entre os itens da nota (por valor ou por peso) e some ao custo de cada um antes de aplicar o markup. Em produto pesado, ignorar o frete é vender com margem menor do que a planejada.

Como precificar produto vendido por metro ou por quilo?

Cadastre o produto na unidade de venda, com o custo convertido para essa unidade, e embuta no custo o percentual de sobra que não se aproveita. Assim a margem do fracionado sai certa sem conta manual no balcão.

Devo cobrir qualquer oferta do concorrente no cimento?

Só até o limite da sua margem, e sabendo o seu custo real. Itens de comparação podem trabalhar no preço da praça para trazer o cliente, desde que a loja compense no restante do carrinho da obra, onde a margem é maior.

Precificar materiais de construção é uma disciplina de categoria: preço afiado onde o cliente compara, margem firme onde ele não compara e custo real sempre atualizado. Um sistema de gestão feito para o varejo físico automatiza essa rotina: registra o custo com frete a cada entrada, calcula a margem real por venda e mostra onde o depósito está ganhando ou perdendo. Preço deixa de ser chute e vira decisão.

Tags:Materiais de ConstruçãoPrecificaçãoMarkupVarejo
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