Nota Fiscal

Tabela CFOP 2026: os 8 códigos que o varejo mais usa (5102, 5405, 5101)

O CFOP é o código que diz à Sefaz o que a sua nota fiscal está fazendo: vendendo, devolvendo, transferindo. Veja como ler o código e quais são os mais usados no comércio.

Equipe VendaSimples 11 min de leitura Atualizado em 8 de setembro de 2026
Lojista escolhendo o CFOP correto ao emitir nota fiscal no sistema da loja
Neste artigo

Se você emite nota fiscal na sua loja, já se perguntou o que é CFOP. O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é aquele código de quatro dígitos que aparece em cada item da nota e que diz ao fisco o que aquela operação está fazendo: vendendo, devolvendo, transferindo, recebendo mercadoria. Escolher o código errado é uma das causas mais comuns de nota rejeitada e de imposto calculado errado no varejo. Neste guia, você vai entender como ler o CFOP, quais códigos mais aparecem no dia a dia do comércio e como escolher o certo sem decorar tabela.

O que é CFOP?

O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é um código de quatro dígitos, definido em tabela nacional, que identifica a natureza de cada operação com mercadorias ou serviços de transporte e comunicação. Ele informa à Sefaz se a nota registra uma venda, uma compra, uma devolução ou uma transferência, e se a operação acontece dentro do estado, entre estados ou com o exterior.

Na prática, o CFOP funciona como o "verbo" da nota fiscal: enquanto o NCM descreve qual produto está na nota, o CFOP descreve o que está sendo feito com ele. Por isso ele aparece em cada item da NF-e e da NFC-e, e uma mesma nota pode ter itens com CFOPs diferentes. A tabela oficial de códigos pode ser consultada nos materiais do Portal Nacional da NF-e.

Para que serve o CFOP na nota fiscal?

O CFOP serve para classificar a operação perante o fisco e orientar o tratamento do imposto. É a partir dele que a Sefaz entende se a operação gera cobrança de ICMS, se é uma entrada ou uma saída de mercadoria e se o imposto já foi recolhido antes por substituição tributária.

  • Classifica a operação: venda, compra, devolução, transferência, remessa, bonificação. Cada situação tem um código próprio.
  • Orienta o imposto: junto com o regime tributário e o CST/CSOSN, o CFOP participa da definição de como o ICMS é tratado naquele item.
  • Alimenta as obrigações fiscais: os CFOPs das notas emitidas e recebidas aparecem depois nas declarações que a sua contabilidade envia ao fisco.
  • Evita rejeição da nota: a Sefaz valida a coerência entre o CFOP e os demais campos. Código incompatível com a operação pode travar a autorização.

Como ler o CFOP: o que significa cada dígito

O primeiro dígito do CFOP responde a duas perguntas de uma vez: a mercadoria está entrando ou saindo da sua empresa, e de onde para onde ela vai. Os três dígitos seguintes detalham o tipo da operação (venda, devolução, transferência e assim por diante).

1º dígitoDireçãoAbrangência
1EntradaDentro do mesmo estado
2EntradaDe outro estado
3EntradaDo exterior
5SaídaDentro do mesmo estado
6SaídaPara outro estado
7SaídaPara o exterior
O primeiro dígito do CFOP indica direção e abrangência da operação.

Um exemplo rápido para fixar: o CFOP 5102 começa com 5, então é uma saída dentro do estado. O restante do código (102) indica venda de mercadoria adquirida de terceiros, ou seja, revenda. Já o 1102 é o espelho dessa operação na entrada: compra para comercialização de um fornecedor do mesmo estado.

CFOP 5102: o código mais comum do varejo

O CFOP 5102 identifica a venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, dentro do estado. É a operação padrão do varejo: a loja compra do fornecedor e revende ao cliente no balcão. Quem fabrica o que vende usa o 5101 (venda de produção própria), e a mesma venda para outro estado vira 6102.

Vale reforçar: o 5102 é o código da revenda comum. Se o produto vendido está no regime de substituição tributária (caso frequente em bebidas, autopeças, cosméticos e materiais de construção, conforme a regra de cada estado), o código muda, como você vê a seguir.

Tabela: CFOPs mais usados no comércio

A tabela abaixo reúne os códigos que mais aparecem na rotina de uma loja física. Ela não substitui a tabela oficial nem a orientação do seu contador, mas resolve a maior parte das dúvidas do dia a dia:

CFOPQuando usar
5102Venda de mercadoria comprada de terceiros, dentro do estado (a revenda clássica do varejo)
6102Mesma venda de revenda, mas para cliente de outro estado
5101Venda de produção própria, dentro do estado (quem fabrica o que vende)
5405Venda de mercadoria com substituição tributária, quando o ICMS já foi retido antes (você é o substituído)
1102Compra de mercadoria para revenda, de fornecedor do mesmo estado
2102Compra de mercadoria para revenda, de fornecedor de outro estado
5202Devolução de uma compra feita para revenda (você devolve ao fornecedor)
1202Devolução de venda (o cliente devolve e a mercadoria volta ao seu estoque)
CFOPs frequentes na rotina de uma loja física. Confirme sempre o enquadramento com a sua contabilidade.

Substituição tributária muda o código

Muitos produtos do varejo (bebidas, autopeças, cosméticos, entre outros) têm o ICMS recolhido antes, na indústria ou na distribuição. Nesses casos, a revenda costuma sair com CFOP 5405, e não 5102. Usar o código errado pode fazer você pagar imposto de novo ou ter a nota questionada. Na dúvida, confirme com o seu contador quais produtos da sua loja estão em substituição tributária.

Tabela CFOP 2026 por tipo de operação: dentro e fora do estado

Os 8 códigos acima resolvem a venda e a compra do dia a dia. Mas a loja também transfere mercadoria entre filiais, manda produto para conserto, recebe brinde do fornecedor e compra material de uso próprio, e cada uma dessas situações tem CFOP próprio. A tabela abaixo organiza os códigos por operação, já com o par dentro do estado (1xxx e 5xxx) e fora do estado (2xxx e 6xxx), que é como a dúvida aparece na hora de emitir. As descrições seguem a tabela oficial de CFOP publicada pelo Confaz, em vigor em 2026.

OperaçãoMesmo estadoOutro estadoQuando usar
Venda de revenda (mercadoria comprada de terceiros)51026102A venda comum do varejo. Para consumidor final de outro estado, o código é o 6108 (destinada a não contribuinte).
Venda de produção própria51016101Quem fabrica o que vende: confeitaria que produz, confecção com oficina própria.
Venda com ST, imposto já retido (você é o substituído)54056404Bebidas, autopeças, cosméticos e outros itens em que o ICMS-ST veio recolhido do fornecedor.
Venda com ST em que você retém o imposto (você é o substituto)54036403Raro no varejo: acontece quando a loja vende para outra empresa revender e a responsabilidade pela retenção é sua.
Venda fora do estabelecimento (feira, evento, venda na rua)51046104Mercadoria de terceiros vendida fora da loja, como em feira ou entrega itinerante.
Compra para revenda11022102A nota de entrada do fornecedor. É o espelho do 5102.
Compra para revenda com ST14032403Quando o fornecedor já reteve o ICMS-ST na nota.
Compra de material de uso ou consumo15562556Sacola, bobina de cupom, material de limpeza: entra na loja, mas não é para revenda.
Compra de bem para o ativo imobilizado15512551Balcão, balança, computador do PDV, impressora fiscal.
Devolução de venda (cliente devolve, mercadoria volta ao estoque)12022202Para venda que saiu como 5102/6102. Se a venda foi de produção própria, 1201/2201; se foi com ST, 1411/2411.
Devolução de compra (você devolve ao fornecedor)52026202Para compra que entrou como 1102/2102. Se a compra foi com ST, 5411/6411.
Transferência entre lojas da mesma empresa51526152Mercadoria comprada de terceiros indo para uma filial. Produção própria usa 5151.
Bonificação, doação ou brinde (saída)59106910Brinde ao cliente ou bonificação enviada a outra empresa. A entrada do brinde que você recebe é 1910/2910.
Remessa para conserto59156915Equipamento ou mercadoria enviada para reparo. O retorno de item que você recebeu para consertar é 5916/6916.
Remessa em consignação59176917Mercadoria deixada em outra loja para venda em consignação.
Outra saída não especificada59496949Quando nenhum código descreve a operação (amostra, mostruário). A entrada equivalente é 1949/2949. Use com orientação do contador.
Tabela CFOP 2026 organizada por operação, com o par dentro e fora do estado. Descrições conforme a tabela oficial do Confaz; o enquadramento de cada produto deve ser confirmado com a contabilidade.

Duas armadilhas comuns nessa tabela. A primeira é a venda para outro estado: se o comprador é empresa contribuinte, o código é 6102; se é consumidor final ou empresa não contribuinte, é 6108, e o cálculo do ICMS muda junto. A segunda é a devolução: o CFOP da devolução tem que espelhar o da operação original, então uma venda que saiu como 5405 não volta como 1202. Nos dois casos, o sistema que emitiu a nota original já sabe qual foi o código, e é por isso que devolver pelo sistema é mais seguro do que preencher a nota de entrada à mão. Para o passo a passo da devolução e da bonificação, veja como lançar devolução de mercadoria e como emitir nota de bonificação e brinde.

Como escolher o CFOP certo na sua operação

Para chegar ao código certo, responda a quatro perguntas em sequência. É esse caminho que um bom sistema percorre automaticamente por você:

  1. 1É entrada ou saída? Mercadoria chegando (compra, devolução de cliente) começa com 1, 2 ou 3. Mercadoria saindo (venda, devolução ao fornecedor) começa com 5, 6 ou 7.
  2. 2Dentro ou fora do estado? Operação com alguém do mesmo estado usa 1 ou 5. Com outro estado, 2 ou 6. Com o exterior, 3 ou 7.
  3. 3Qual é a natureza da operação? Venda de revenda, venda de produção própria, devolução, transferência entre lojas: cada uma tem um final de código diferente.
  4. 4O produto tem substituição tributária? Se o ICMS já foi retido na cadeia, a venda tende a sair no grupo do 5405 em vez do 5102. Essa checagem é por produto, não pela loja inteira.

Repare que a resposta pode mudar de um item para outro na mesma venda: uma loja de conveniência pode vender no mesmo cupom um produto com substituição tributária e outro sem. Por isso o CFOP é definido item a item, e por isso preencher tudo manualmente é tão arriscado.

CFOP, NCM e CST: qual a diferença?

Esses três códigos convivem na mesma nota e cada um responde a uma pergunta diferente. O NCM diz qual é o produto (classificação da mercadoria). O CFOP diz o que a operação está fazendo com o produto (venda, compra, devolução). E o CST ou CSOSN diz como o ICMS é tratado naquele item, conforme o regime tributário da empresa.

Os três precisam estar coerentes entre si para a nota ser autorizada e o imposto sair certo. É exatamente esse cruzamento que costuma travar quem emite nota em emissor gratuito, preenchendo campo por campo. Se você ainda está nessa fase, vale ler o guia NF-e, NFC-e e NFS-e: qual emitir no seu comércio para entender o conjunto, do credenciamento à emissão da NFC-e no balcão.

CFOP na prática: deixe o sistema escolher por você

Nenhum dono de loja precisa decorar tabela de CFOP. No dia a dia, o caminho certo é cadastrar o produto uma única vez, com a orientação do contador para os casos especiais, e deixar o sistema de gestão aplicar a regra fiscal em cada venda: CFOP, CST/CSOSN e cálculo do imposto saem preenchidos automaticamente, seja na NFC-e do balcão, seja na NF-e para outra empresa.

Isso vale para qualquer perfil de comércio: lojas de varejo em geral, autopeças com muitos itens em substituição tributária, mercados e materiais de construção. E se você é MEI e está começando a emitir nota agora, a seção sobre MEI do guia NF-e, NFC-e e NFS-e: qual emitir mostra o caminho desde o início.

Perguntas frequentes sobre CFOP

Qual CFOP usar na venda do varejo?

Na revenda comum ao consumidor do mesmo estado, o código padrão é o CFOP 5102. Se o produto está em substituição tributária (ICMS retido antes na cadeia), a venda costuma sair com CFOP 5405. Para cliente de outro estado, o equivalente do 5102 é o 6102. Confirme o enquadramento dos seus produtos com o contador.

O que significa CFOP 5102?

O CFOP 5102 identifica a venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, dentro do mesmo estado. É o código da revenda clássica: a loja compra do fornecedor e revende ao cliente. O primeiro dígito 5 indica saída de mercadoria dentro do estado.

Qual a diferença entre CFOP 5102 e 5405?

Os dois são venda de mercadoria comprada para revenda dentro do estado. A diferença é a substituição tributária: no 5405, o ICMS do produto já foi retido antes na cadeia (indústria ou distribuidor) e a loja vende como contribuinte substituído. No 5102, a operação segue a tributação normal.

CFOP e NCM são a mesma coisa?

Não. O NCM classifica o produto (o que está sendo vendido) e o CFOP classifica a operação (o que a nota está fazendo: venda, compra, devolução). Os dois aparecem em cada item da nota fiscal e precisam estar coerentes para a nota ser autorizada.

O que acontece se eu usar o CFOP errado?

Dependendo do erro, a nota pode ser rejeitada pela Sefaz, o imposto pode ser calculado errado (inclusive pago em duplicidade, no caso de produtos com substituição tributária) e a inconsistência aparece nas obrigações enviadas pela contabilidade. Se perceber o erro depois da autorização, fale com o contador para corrigir da forma adequada.

CFOP não precisa ser motivo de medo na hora de emitir nota. Entendendo a lógica do primeiro dígito e os poucos códigos que aparecem no varejo, você já consegue conferir o que sai na sua nota. E com um sistema de gestão que aplica a regra fiscal automaticamente, a escolha do código deixa de depender da memória: você cadastra o produto certo uma vez e vende com o imposto saindo correto em todas as notas.

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