Nota Fiscal

NCM: o que é e como achar o código do seu produto

Todo produto que sai numa nota fiscal precisa de um NCM. Veja como o código funciona, onde consultar a tabela oficial e como cadastrar certo de uma vez.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Lojista consultando o código NCM do produto antes de emitir a nota fiscal
Neste artigo

Se você emite nota fiscal na sua loja, mais cedo ou mais tarde vai precisar saber como achar o NCM do produto. O NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código de oito dígitos que identifica o que é cada mercadoria vendida, e ele é obrigatório em todo item de NF-e e NFC-e. Cadastrar o código errado é uma das causas mais comuns de nota rejeitada e de imposto calculado de forma incorreta no varejo. Neste guia, você vai entender como o código funciona, onde consultar a tabela oficial e como resolver isso de vez no cadastro de produtos.

O que é NCM?

O NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é um código de oito dígitos que classifica mercadorias, adotado pelos países do Mercosul e baseado no Sistema Harmonizado internacional. Na nota fiscal, ele informa ao fisco qual produto está sendo vendido, e é a partir dele que se define boa parte do tratamento tributário daquele item.

Todo produto tem um NCM, da camiseta ao parafuso. Ele acompanha o item na NF-e de compra que chega do fornecedor, no seu cadastro de produtos e na nota que você emite para o cliente. Por isso, quem vende no balcão não escapa do assunto: sem NCM válido, a NFC-e do caixa nem chega a ser autorizada pela Sefaz.

Para que serve o NCM na nota fiscal?

O NCM serve para identificar a mercadoria de forma padronizada e orientar a tributação. Na prática, ele influencia pontos que mexem direto no bolso da loja:

  • Validação da nota: a Sefaz confere se o NCM informado existe na tabela vigente. Código inexistente ou desatualizado gera rejeição na hora da emissão.
  • Tributação do item: alíquotas e benefícios fiscais de impostos como IPI e ICMS costumam ser definidos por NCM. Código errado pode significar imposto pago a mais ou a menos.
  • Substituição tributária: as listas de produtos com ICMS-ST são organizadas por NCM (junto com o CEST). Classificar errado pode fazer você recolher imposto em duplicidade ou deixar de recolher.
  • Estatísticas e fiscalização: o código alimenta os cruzamentos do fisco entre o que você compra e o que você vende.

Como o código NCM é formado

O NCM tem oito dígitos e é lido em blocos, do mais genérico para o mais específico. Os seis primeiros dígitos vêm do Sistema Harmonizado internacional e os dois últimos são o detalhamento do Mercosul:

DígitosO que indicamExemplo (6109.10.00)
2 primeirosCapítulo: a grande família do produto61 = vestuário de malha
4 primeirosPosição: o tipo de produto dentro do capítulo6109 = camisetas de malha
6 primeirosSubposição: detalhamento internacional6109.10 = camisetas de malha de algodão
7º e 8ºItem e subitem: detalhamento do Mercosul6109.10.00
Estrutura do código NCM usando como exemplo a camiseta de algodão (6109.10.00).

Alguns capítulos aparecem o tempo todo no varejo: 61 e 62 (vestuário), 64 (calçados), 22 (bebidas), 33 (perfumaria e cosméticos) e 87 (veículos e suas partes, onde vivem as autopeças). Saber o capítulo do seu ramo já ajuda a conferir se um código recebido do fornecedor faz sentido.

Como achar o NCM do seu produto: passo a passo

Para a maior parte das lojas, achar o NCM certo é um trabalho de conferência, não de adivinhação. Siga esta ordem:

  1. 1Olhe a nota do fornecedor. O XML da NF-e de compra traz o NCM de cada item. Como o fornecedor (indústria ou distribuidor) costuma classificar antes de você, esse é o melhor ponto de partida para revenda.
  2. 2Confirme na tabela oficial. Consulte a tabela NCM vigente nos canais do governo, como o Portal Nacional da NF-e e os serviços da Receita Federal. A tabela muda periodicamente, e um código pode ser extinto ou desdobrado.
  3. 3Compare com produtos iguais. Se você já vende itens da mesma família, o NCM tende a ser o mesmo ou muito próximo. Diferenças grandes entre produtos parecidos merecem investigação.
  4. 4Na dúvida, envolva o contador. Classificação fiscal tem casos de fronteira (o mesmo produto pode caber em mais de uma descrição). Quem responde pela classificação da sua empresa deve validar os casos ambíguos.
  5. 5Cadastre uma única vez no sistema. Com o código validado, grave o NCM no cadastro do produto. A partir daí, toda nota emitida já sai com o campo preenchido automaticamente.

Não copie NCM no automático

O NCM que vem do fornecedor é um ótimo ponto de partida, mas não é garantia: fornecedor também erra. Se o código estiver desatualizado ou incompatível com o produto, a rejeição acontece na sua nota. Vale a conferência na tabela vigente, principalmente nos produtos que mais vendem.

O que acontece se usar o NCM errado?

Usar o NCM errado pode travar a emissão ou gerar imposto incorreto. Os efeitos mais comuns no dia a dia da loja são estes:

  • Nota rejeitada: se o código não existe na tabela vigente, a Sefaz recusa a autorização e a venda trava no caixa.
  • Imposto errado: alíquota e enquadramento (inclusive substituição tributária) seguem a classificação. Errar o NCM pode significar pagar mais imposto do que deveria ou recolher menos e criar passivo fiscal.
  • Inconsistência nos cruzamentos: comprar um produto com um NCM e vender com outro chama atenção nos sistemas do fisco.
  • Retrabalho contábil: notas com classificação errada geram correções e dor de cabeça na apuração feita pela contabilidade.

NCM, CFOP e CST: qual a diferença?

Esses códigos convivem na mesma nota e respondem a perguntas diferentes. O NCM diz qual é o produto. O CFOP diz o que a operação está fazendo com ele (venda, devolução, transferência): esse código tem um guia próprio em CFOP: o que é e como escolher. Já o CST ou CSOSN indica como o ICMS é tratado naquele item, conforme o regime da empresa.

Os três precisam estar coerentes entre si para a nota ser autorizada. Se você ainda está entendendo qual documento emitir em cada situação, o pilar NF-e, NFC-e e NFS-e: qual emitir no seu comércio organiza o conjunto.

NCM na prática: cadastre certo uma vez e esqueça

Nenhum dono de loja precisa decorar tabela de NCM. O caminho é resolver a classificação no cadastro do produto, uma única vez, e deixar o sistema de gestão repetir o código certo em todas as notas. Isso vale para qualquer perfil de comércio, e pesa ainda mais em ramos com muitos itens e substituição tributária, como autopeças e lojas de varejo com mix grande.

Um bom sistema também ajuda na entrada: ao importar o XML da compra, o NCM do fornecedor já chega junto, pronto para conferência. Assim o cadastro nasce completo e a venda no caixa não depende de ninguém lembrar código de cabeça.

Perguntas frequentes sobre NCM

O que é NCM na nota fiscal?

NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é o código de oito dígitos que identifica a mercadoria em cada item da nota fiscal. Ele é obrigatório na NF-e e na NFC-e e orienta a tributação do produto, incluindo enquadramentos como a substituição tributária.

Como descobrir o NCM de um produto?

Comece pelo XML da nota de compra do fornecedor, que já traz o NCM de cada item. Depois confirme o código na tabela oficial vigente, nos canais do governo, e valide casos ambíguos com o contador. Com o código certo, grave no cadastro do produto para as próximas notas saírem preenchidas automaticamente.

Todo produto tem NCM?

Sim. Toda mercadoria se enquadra em algum código da nomenclatura, do alimento à autopeça. O que muda é o nível de detalhe: alguns produtos têm código bem específico e outros entram em categorias residuais do tipo "outros" dentro do capítulo correspondente.

O que acontece se a nota sair com NCM errado?

Se o código não existir na tabela vigente, a nota é rejeitada pela Sefaz. Se existir mas for inadequado ao produto, a nota pode ser autorizada com imposto calculado errado, o que gera risco fiscal e retrabalho. Detectou o erro? Corrija o cadastro e alinhe com a contabilidade os ajustes necessários.

NCM e CFOP são a mesma coisa?

Não. O NCM classifica o produto (o que está sendo vendido) e o CFOP classifica a operação (venda, compra, devolução). Os dois aparecem em cada item da nota e precisam estar coerentes entre si para a autorização.

NCM não precisa ser um bicho de sete cabeças. Entendendo a lógica do código e conferindo a classificação uma única vez no cadastro, a emissão vira rotina: você vende, o sistema preenche e a nota sai autorizada. Com um sistema de gestão que carrega a regra fiscal junto do produto, a tabela NCM deixa de ser preocupação diária e volta a ser o que deveria ser: um detalhe técnico resolvido nos bastidores.

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