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Como montar cesta básica para vender no mercadinho

Veja a lista de itens que serve de base, calcule o custo de cada cesta com embalagem e entrega, e descubra o preço que deixa lucro no pedido da empresa.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Dono de mercadinho montando cestas básicas em caixas de papelão sobre o balcão, com arroz, feijão, óleo e café enfileirados, ilustrando como montar cesta básica para vender
Neste artigo

O gerente da oficina da esquina entra no mercadinho e pergunta se você monta 30 cestas por mês para os funcionários. É venda garantida, pedido fechado e pagamento em dia. Montar cesta básica para vender dá lucro quando o preço sai da conta completa, com montagem, embalagem e entrega, e não do preço da gôndola somado no papel. A lista, a conta e a nota estão abaixo.

O que vai na cesta: a lista que serve de base

Não existe lista oficial obrigatória para a cesta que você vende. O que existe é a cesta básica nacional que o DIEESE pesquisa todo mês, com 13 alimentos e quantidades por região. Ela é uma boa referência para conversar com a empresa, porque o RH conhece o nome. Na região 1 (São Paulo, Minas, Rio, Espírito Santo, Goiás e DF), a cesta de um adulto por mês é esta:

ItemQuantidadeItemQuantidade
Carne6 kgPão francês6 kg
Leite7,5 litrosCafé em pó600 g
Feijão4,5 kgBanana90 unidades
Arroz3 kgAçúcar3 kg
Farinha1,5 kgÓleo ou banha750 g
Batata6 kgManteiga750 g
Tomate9 kg
Cesta básica nacional, região 1, quantidades mensais para um adulto (fonte: metodologia do DIEESE)

A cesta que a empresa compra é outra, e é bom deixar isso claro no orçamento: só mercearia seca, sem carne, pão, fruta nem legume, porque precisa aguentar duas semanas na caixa. A empresa escolhe o tamanho; você monta em três faixas (básica, média e completa) e vende a que ela pedir.

Exemplo de cesta média com 15 itens

Arroz 5 kg, feijão 2 kg, açúcar 2 kg, 2 latas de óleo e café 500 g. Depois, 2 pacotes de macarrão, farinha de trigo 1 kg, fubá, sal e 2 molhos de tomate. Para fechar, 2 biscoitos, 2 leites (em pó ou UHT), achocolatado, goiabada e tempero. É a lista que a gente vê muito em mercadinho de bairro; troque itens pelo que a empresa pedir e pelo que gira na sua loja.

Quanto custa montar uma cesta de verdade

O erro clássico é somar o preço de etiqueta dos 15 itens e dar 10% de desconto "porque é quantidade". O preço de etiqueta já tem a sua margem de varejo dentro, mas não tem a caixa, os 10 minutos de quem separa e confere, nem a gasolina de entregar 30 cestas na oficina. Digamos uma cesta cujos produtos custaram R$ 150 pela nota de compra:

  1. 1Produtos: R$ 150, somados item por item pelo preço que você pagou ao fornecedor, não pelo da gôndola.
  2. 2Embalagem: caixa de papelão, fita e etiqueta com a lista, R$ 4.
  3. 3Montagem: 10 minutos de um funcionário cuja hora custa R$ 15 com encargos, ou seja, R$ 2,50. Parece pouco; em 30 cestas são 5 horas de gente.
  4. 4Entrega: zero neste exemplo, porque a oficina retira. Se você entrega, divida o custo da viagem pelas cestas que vão nela.
  5. 5Custo completo: R$ 156,50. Com 6% de imposto e cartão e 15% de margem sobre o preço, a cesta sai por R$ 156,50 ÷ 0,79 = R$ 198, e deixa R$ 29,70 por unidade.

Se a empresa pedir R$ 180, você ainda ganha, mas a margem cai para uns 7%. Se pedir R$ 165, você está abaixo do preço de empate (R$ 156,50 ÷ 0,94 = R$ 166,50) e paga para trabalhar. Saber esses dois números antes da reunião é o que separa o orçamento da chutação.

Calcule o preço da sua cesta

Some o custo dos produtos pela última nota de compra e informe embalagem, tempo de montagem, custo da hora, entrega e a margem desejada. Saem o preço de venda, o custo completo, o lucro por cesta e o preço de empate, que é o piso de qualquer negociação. Com o número de cestas por mês, ela mostra também quanto o contrato deixa.

Vender para empresa: pedido fechado, prazo e reajuste

A venda de cesta para empresa é diferente da venda de balcão em três pontos, e os três precisam estar no papel antes da primeira entrega. O primeiro é o pedido recorrente: quantas cestas, de qual faixa, em que dia do mês. O segundo é o prazo de pagamento: empresa costuma pedir boleto para 15 ou 28 dias, e isso segura o seu caixa, porque você paga o fornecedor antes de receber.

O terceiro é o reajuste. Arroz, feijão, óleo e café mudam de preço de um mês para o outro, e quem fecha "R$ 198 por 12 meses" está apostando contra o mercado. Coloque no orçamento que o preço vale por 60 ou 90 dias e é refeito pela nota de compra. Um orçamento com validade e condições evita a conversa difícil em janeiro.

Cesta na nota fiscal: um item ou os 15?

Empresa com CNPJ pede NF-e, não o cupom do caixa, e quer a nota antes de pagar o boleto. A dúvida que trava muito mercadinho é se a nota sai com uma linha "cesta básica" ou com os 15 produtos. A regra geral é a mesma de qualquer kit de produtos na nota fiscal: cada item com o seu NCM e a sua tributação. Arroz, feijão e óleo têm tratamento de ICMS próprio em vários estados, e a linha única perde isso.

Confirme com o contador antes da primeira nota

Pergunte duas coisas. Algum item da sua cesta tem substituição tributária ou redução de base no seu estado? A NF-e deve sair item a item, com o preço rateado, ou pode usar o produto composto? Com a resposta, configure o cadastro uma vez e a nota sai igual todo mês.

3 erros que fazem a cesta dar prejuízo

  • Precificar pela gôndola. O preço de etiqueta do arroz já embute quebra, frete e a margem do varejo. Para cesta, o que vale é o custo real do produto na nota de compra mais o que a cesta acrescenta.
  • Esquecer a mão de obra. Separar 30 cestas de 15 itens leva uma manhã de um funcionário. Se ele está montando, não está no caixa nem na reposição, e essa hora tem preço.
  • Fechar preço fixo sem prazo. A empresa quer previsibilidade; você quer sobreviver à alta do café. Preço com validade de 60 a 90 dias atende os dois.

Onde a cesta mora no sistema do mercadinho

Cesta montada na mão exige separar produto do estoque da gôndola sem ninguém registrar, e no fim do mês falta arroz no inventário e ninguém sabe por quê. Num sistema para mercadinho a cesta é um produto composto: ao vender uma, o sistema baixa 1 arroz, 2 feijões e 2 óleos do estoque. O custo da cesta acompanha a última compra de cada item.

Na hora de faturar, a empresa vira cliente cadastrado com CNPJ, a NF-e sai do mesmo caixa do dia a dia e o boleto entra no contas a receber com a data combinada. Os planos do VendaSimples incluem produto composto, NF-e e contas a receber em todas as faixas, sem cobrança por nota emitida.

Perguntas frequentes sobre vender cesta básica

Precisa de CNPJ para vender cesta básica?

Para vender a empresas, sim: elas exigem NF-e para lançar a despesa e não compram de pessoa física. O mercadinho que já tem CNPJ e emite nota está pronto; basta cadastrar a empresa como cliente.

MEI pode vender cesta básica para empresa?

Pode, desde que a atividade de comércio de alimentos esteja no CNPJ. Atenção ao limite anual de faturamento: 30 cestas de R$ 198 por mês são R$ 71 mil por ano só nesse contrato, e ele soma com a venda do balcão.

Qual é a margem de lucro de uma cesta básica?

A que a sua conta permitir depois de cobrir produto, embalagem, montagem, entrega e imposto. Empresa compra por volume e aperta o preço, então a margem por cesta costuma ser menor que a do balcão; o que compensa é o pedido garantido todo mês.

Antes de responder ao gerente da oficina, monte uma cesta de cada faixa, cronometre a montagem e some os itens pela nota de compra. Rode a calculadora, anote o preço e o piso, e leve os dois para a reunião. Com a cesta cadastrada como produto composto no sistema, o pedido do mês seguinte é um clique e uma nota, não uma manhã de contas.

Tags:Cesta básicaMercadinhoPrecificaçãoVenda para empresaMerceariaNota Fiscal
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