PDV

Vale-presente na loja: como vender, controlar e dar baixa

Aprenda a vender vale-presente sem bagunçar o caixa nem a nota fiscal, com as regras que evitam briga no balcão e uma planilha para controlar cada vale.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Atendente entregando um cartão vale-presente a uma cliente no balcão de uma loja de presentes, ilustrando vale-presente na loja
Neste artigo

Véspera do Dia das Mães, a cliente não sabe o tamanho nem a cor, e pergunta se tem vale. A atendente pega um cartão da gaveta, escreve R$ 150 a caneta e o dinheiro entra no caixa como se fosse venda. Vale-presente na loja é venda antecipada de algo que ainda não saiu da prateleira, e é assim que ele precisa entrar no caixa e na nota.

O vale entra no caixa duas vezes, e só uma é venda

No dia em que a cliente compra o vale, entra dinheiro e não sai mercadoria. No dia em que a filha vem trocar o vale por uma blusa, sai mercadoria e não entra dinheiro. Se o caixa registrar os dois dias como venda, a loja vende R$ 300 tendo entregue R$ 150 de produto, e o estoque e o faturamento passam a discordar.

  • Na compra do vale: registre como recebimento antecipado (ou "venda de vale", conforme o seu sistema chama), com número do vale, valor e nome do comprador. O dinheiro conta no fechamento do caixa; a venda de produto, não.
  • No resgate: registre a venda normal dos itens e use "vale-presente" como forma de pagamento, com o número do vale. É aqui que o estoque baixa e a nota sai.
  • No resgate parcial: a venda usa parte do valor e o saldo fica no vale, com a mesma numeração. Anote o saldo no cartão e no controle.

Isso muda o fechamento de caixa do dia: o dinheiro do vale está na gaveta, mas ele não é lucro nem venda ainda. É uma dívida da loja com quem vai aparecer com o cartão. Em dezembro isso vira dezenas de vales abertos, e a loja que gastou esse dinheiro como se fosse dela passa janeiro entregando produto sem receber.

Nota fiscal do vale-presente: na venda ou no resgate?

No resgate. A nota fiscal acompanha a mercadoria, e o imposto sobre a venda nasce quando o produto sai da loja, pela Lei Complementar 87/1996. Na compra do vale, o cliente recebe um comprovante de pagamento (recibo ou comprovante do cartão), não um cupom fiscal, porque ainda não há mercadoria.

Quando a filha resgata a blusa de R$ 150, sai a NFC-e da blusa com "vale-presente" na forma de pagamento. Se ela levar R$ 200 e pagar os R$ 50 de diferença no cartão, a mesma nota traz as duas formas. Cada estado tem regra própria para registrar o valor recebido antes, então confirme com o contador como lançar a venda do vale no seu regime, e deixe a NFC-e para o dia do resgate.

SituaçãoNo caixaDocumento para o cliente
Cliente compra o valeRecebimento antecipado, com número do valeRecibo ou comprovante do cartão, sem cupom fiscal
Resgate totalVenda dos itens, pagamento "vale-presente"NFC-e da venda
Resgate parcialVenda dos itens, pagamento "vale-presente"; saldo fica no valeNFC-e da venda e o cartão com o saldo anotado
Compra maior que o valeVenda dos itens, dois pagamentos: vale + diferençaNFC-e com as duas formas de pagamento
Vale venceu sem resgateBaixa do vale como receita, na data da validadeNenhum; guarde o registro para o contador
O que registrar e o que emitir em cada situação do vale-presente na loja

Baixe grátis: planilha de controle de vale-presente

A planilha numera cada vale, calcula a validade pela regra que você definir, soma os resgates parciais, mostra o saldo de cada cartão e diz quanto a loja deve em vales abertos hoje. Tem uma aba de resumo por mês para você saber quantos foram emitidos, resgatados e vencidos.

Regras que evitam briga no balcão

A maioria das discussões sobre vale acontece porque a regra não estava escrita no cartão. O Código de Defesa do Consumidor manda informar ao cliente, de forma clara, as condições do que ele está comprando, e isso inclui o cartão que a loja vende. Escreva no verso e cadastre a mesma regra no sistema:

  • Validade. Defina um prazo generoso, 12 meses é o que a gente mais vê em loja de bairro, e imprima a data no vale. Prazo curto demais vira reclamação no Procon e cliente perdido.
  • Troco. Vale não devolve dinheiro: o saldo fica no cartão para a próxima compra. Diga isso antes de vender o vale, não na hora do resgate.
  • Numeração. Cada vale tem um número único, e o caixa só aceita vale que existe no controle. Cartão escrito a caneta sem número é convite para fraude.
  • Perda ou extravio. Com o número no controle e o nome do comprador, dá para bloquear o vale perdido e emitir outro. Sem o número, não.
  • Transferível. Vale é ao portador: quem apresenta, usa. Se quiser restringir ao presenteado, anote o nome, mas saiba que o caixa vai ter de conferir documento.
  • Promoção e desconto. Decida se o vale pode ser usado em item de liquidação. A regra padrão é sim; se for não, isso precisa estar escrito.

Quarenta vales de Natal

Imagine a Dona Lúcia, que tem uma loja de presentes e vendeu 40 vales de R$ 100 no Natal. Em fevereiro ela olhou o controle: 28 resgatados, 12 em aberto, R$ 1.200 que ainda vão sair em produto. Sem a planilha, esse dinheiro teria sido contado como lucro de dezembro e gasto na compra de janeiro.

Vale-presente e crédito de troca não são a mesma coisa

O vale-presente nasce de dinheiro que entrou. O crédito de troca nasce de mercadoria que voltou, quando o cliente devolve uma peça e leva um vale em vez do reembolso. Os dois viram "vale" no caixa, mas o segundo já teve nota emitida na venda original e precisa de política de troca escrita e de nota de devolução. Numere os dois em séries separadas para o relatório não misturar.

A mesma lógica vale para a venda com sinal: dinheiro que entra antes da mercadoria sair. A diferença é que o sinal já tem produto e cliente definidos; o vale, não. No relatório do mês, os três aparecem na mesma linha, "recebido antecipado", e o dono sabe quanto do dinheiro na conta ainda não é dele.

Como o vale aparece no fechamento e no relatório

No fechamento do dia, o valor dos vales vendidos entra na gaveta e no cartão como recebimento, separado das vendas. No resgate, a venda aparece com pagamento "vale-presente", e o total de vendas do dia fica maior que o dinheiro que entrou. Isso é normal, e é o motivo de os dois relatórios existirem: o de vendas mede a loja; o de recebimentos mede a gaveta.

Num PDV de frente de caixa que registra recebimento antecipado, o vale entra com número no dia da compra, o resgate desconta o valor na venda e o relatório de recebidos e resgatados sai sem conta de cabeça. Numa loja de roupas, é o que faz o Dia das Mães terminar sem dezenas de cartões escritos à mão na gaveta.

Recebimento antecipado e NFC-e estão em todos os planos, do menor ao maior.

O que mais perguntam sobre vale-presente

Posso cobrar taxa para emitir o vale?

Pode, se estiver informado antes da compra, mas é raro compensar: a taxa afasta quem compra o vale como saída rápida. O ganho do vale está em trazer uma pessoa nova à loja, que costuma gastar acima do valor do cartão.

O vale venceu e o cliente apareceu uma semana depois. Aceito?

Decida antes e aplique sempre igual. A maioria das lojas aceita com folga de alguns dias, porque perder o cliente custa mais que a blusa. Se aceitar, reabra o vale no controle na data do resgate para o relatório fechar.

Como emito o vale em cartão bonito sem sistema próprio?

Gráfica rápida imprime cartões numerados em série a partir de poucas dezenas. O número impresso é o que importa; o resto é o cartão, o envelope e a regra no verso. O controle continua na planilha ou no sistema.

Antes da próxima data comemorativa, numere os cartões, escreva a validade e a regra do troco no verso e comece o controle hoje, com os vales que já estão na rua. No fechamento, separe o que é vale do que é venda. Quando o cartão voltar, a nota sai na hora certa e o dinheiro de dezembro ainda está lá para pagar o produto de fevereiro.

Tags:Vale-presenteCaixaNota fiscalLoja de roupasLoja de presentesDatas comemorativas
Compartilhar