Quanto cobrar por xerox e impressão na papelaria
Descubra o custo real de cada cópia da sua máquina, a partir de quantas cópias por mês ela se paga e por que a cópia pede uma nota diferente da do caderno.

Neste artigo
O cliente chega com o pendrive, pede dez cópias e pergunta o preço antes de você abrir o arquivo. R$ 0,25? R$ 0,50? Quanto cobrar por xerox e impressão sai de uma conta que quase nenhuma papelaria faz: toner, papel, máquina e conserto divididos pelas cópias do mês. Abaixo está essa conta, uma calculadora para rodar com os seus números e o ponto em que a máquina começa a se pagar.
O que entra no custo de uma cópia
A maioria das lojas divide o preço da resma por 500 folhas, chega a cinco centavos e acha que o resto é lucro. Não é. A folha é a parte mais barata da cópia. O toner custa o dobro dela, e a máquina, que parece já paga, continua custando a cada página que sai.
- Toner ou recarga: o preço do cartucho dividido pelas páginas que ele rende de verdade. O rendimento da caixa é medido com uma página-padrão de texto em impressão contínua, e o próprio fabricante avisa que o resultado real varia. Documento com foto e carimbo gasta mais.
- Papel: a resma dividida por 500, mais as folhas que atolam, saem borradas ou o cliente recusa. Conte as perdas: elas são cópia que você pagou e não vendeu.
- Máquina: o que ela custou, dividido pelos meses em que você pretende usá-la e depois pelas cópias do mês. Uma máquina de R$ 1.800 usada por três anos custa R$ 50 por mês, mesmo que ninguém imprima nada.
- Manutenção, cilindro e energia: o técnico, o cilindro que troca a cada tantas páginas e a luz. Se a máquina é alugada, o aluguel entra aqui.
- Seu tempo: abrir o arquivo, ajustar o tamanho, esperar. Uma cópia de 25 centavos que toma dois minutos de atendente é a venda mais cara do dia.
Calcule o custo da sua cópia
Pegue a nota do último toner, a da resma e o que a máquina custou. Conte quantas cópias saem numa semana normal e multiplique por quatro. A calculadora devolve o custo de cada página, quanto sobra no preço que você cobra hoje e o volume em que a máquina passa a se pagar.
A partir de quantas cópias a máquina se paga
Imagine uma papelaria de bairro com números redondos: toner de R$ 150 que rende 1.500 páginas, resma de R$ 25, máquina de R$ 1.800 para usar por 36 meses e R$ 50 de manutenção por mês. Toner e papel somam R$ 0,15 por cópia. Máquina e manutenção somam R$ 100 por mês, não importa o movimento: é custo fixo, igual ao aluguel.
Com 1.000 cópias no mês, esses R$ 100 viram mais R$ 0,10 por página, e a cópia custa R$ 0,25. Cobrando R$ 0,25, a loja empata: trabalhou o mês para pagar a máquina. Com 2.000 cópias, o custo cai para R$ 0,20 e sobram cinco centavos em cada uma, R$ 100 no mês.
A leitura que muda o preço
Colorida, frente e verso, impressão: o que muda no custo
Preço único para tudo é o que a gente mais vê em balcão de papelaria. A cópia preto e branco de uma página é o caso mais barato. Tudo que foge dele consome mais toner, mais tempo ou os dois, e a tabela de preços precisa acompanhar.
| Tipo | O que muda no custo | Como cobrar |
|---|---|---|
| Cópia preto e branco | É a base: toner, papel e máquina | O custo da calculadora mais a margem que você quer |
| Impressão do celular ou pendrive | Seu tempo: abrir, converter, ajustar | Acima da cópia, ou cobrar um mínimo por atendimento |
| Frente e verso | Metade do papel, o mesmo toner e mais tempo de máquina | Menos que duas cópias, nunca metade de uma |
| Colorida | Quatro toners em vez de um e rendimento menor | Faça a conta com o preço dos quatro cartuchos; costuma dar várias vezes a cópia preta |
| Documento com foto, carimbo ou fundo escuro | Cobertura alta de toner, rendimento despenca | Preço da colorida ou da impressão, nunca o da cópia simples |
| Lote grande (apostila, 100 páginas ou mais) | Quase nenhum tempo de atendimento por página | Pode dar desconto, desde que acima do custo variável |
Cópia é serviço: a nota é NFS-e, não NFC-e
Aqui mora um erro que o contador só descobre no fim do mês. A cópia não é mercadoria, é serviço, e a lista de serviços da Lei Complementar 116 coloca a reprografia no item 13.04. Sobre ela incide o ISS, o imposto da prefeitura, entre 2% e 5%, e o documento é a NFS-e, a nota de serviço.
O caderno que o mesmo cliente leva junto é mercadoria e sai com NFC-e, a nota do cupom. Papelaria que passa a cópia como produto no cupom está recolhendo imposto errado e misturando duas vendas numa nota só. Produto e serviço na mesma venda são dois documentos, a mesma regra de qual nota fiscal emitir na loja em qualquer outra situação.
Se a papelaria é MEI, as duas atividades podem conviver no mesmo CNPJ, desde que as duas estejam na lista de ocupações permitidas ao MEI. Confirme com o contador se o CNAE de fotocópias já está no seu cadastro: sem ele, a prefeitura não libera a NFS-e.
Como registrar a cópia no caixa sem ela sumir
A cópia some do caixa por um motivo simples: ninguém registra venda de 25 centavos com fila na loja. No fim do mês, o toner acabou, a resma acabou e o relatório diz que a papelaria vendeu 300 cópias. Vendeu 1.500. As outras 1.200 foram para o bolso de alguém ou para a gaveta sem registro, e as duas coisas quebram a conta.
- 1Cadastre a cópia como item de serviço, com preço por tipo: simples, frente e verso, colorida, impressão. Um código de barras colado na máquina resolve o registro em um bipe.
- 2Registre pela quantidade, não pelo valor. "Cópia simples × 12" entra no caixa e no relatório; "R$ 3,00 avulso" não diz nada depois.
- 3Anote a leitura do contador da máquina no fechamento de cada dia. Contador menos vendas registradas é a sua perda, e perda de cópia costuma ser gente, não máquina.
- 4Separe o serviço no relatório mensal: é o número que o contador precisa para o ISS, e é a linha da cópia dentro do lucro da papelaria.
Com um sistema para comércio que emite NFS-e e NFC-e no mesmo PDV, o operador bipa a cópia e o caderno na mesma venda e o sistema separa os dois documentos sozinho. A leitura do contador da máquina vira rotina de fechamento, e o relatório de serviço sai pronto no primeiro dia do mês, em qualquer um dos planos.
Perguntas que aparecem no balcão
Vale a pena recarregar o toner em vez de comprar novo?
Faça a conta com o rendimento real: anote quantas cópias a recarga fez antes de falhar. Recarga mais barata que rende metade das páginas custa o mesmo por cópia, e ainda arrisca o cilindro.
Posso cobrar pela cópia que saiu errada?
Se o erro foi do arquivo do cliente, sim, e avise antes de imprimir. Se foi da máquina ou do atendente, não. Nos dois casos a folha entra na conta de perdas da calculadora.
Preciso de máquina nova para começar a cobrar certo?
Não. A conta funciona com a máquina que você tem. Máquina velha costuma ter manutenção mais alta e rendimento menor, e é a calculadora que mostra se trocar compensa.
Hoje, antes de fechar, pegue a nota do último toner e leia o contador da máquina. Com esses dois números e a resma, a calculadora acima diz em dois minutos se a cópia da sua papelaria dá lucro ou cortesia. Se der cortesia, a tabela de preços muda amanhã de manhã, e o sistema registra cada cópia com a nota certa a partir dali.
Continue lendo
Artigos relacionados

Quanto custa abrir uma papelaria pequena, item por item
Investimento para abrir uma papelaria de bairro: de R$ 45 mil a R$ 120 mil, e metade vai para o estoque. Veja a conta item a item e calcule pela sua metragem.

Quanto lucra uma papelaria: a conta do ano, não do mês
Quanto lucra uma papelaria só aparece no ano fechado: janeiro paga os meses fracos. Veja a conta dos três balcões e teste seus números na calculadora.

Sistema para papelaria: 7 recursos, preços e checklist 2026
Sistema para papelaria tem que bipar 3 mil itens sem travar e faturar NF-e para a escola. Veja os 7 recursos, o preço mensal e o que testar na demo.
