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Pesquisa de preço da concorrência: a cesta de 20 itens

Monte a cesta de itens que o cliente compara de cabeça, pesquise três concorrentes em meia hora e decida o que mexer na etiqueta sem zerar a margem.

Equipe VendaSimples 8 min de leitura
Dona de loja anotando no celular os preços de uma gôndola de supermercado concorrente, ilustrando a pesquisa de preço da concorrência
Neste artigo

A cliente devolveu o arroz na gôndola e disse, sem maldade, que no mercado da esquina está dois reais mais barato. Ela não conferiu o molho de tomate nem o tempero. Pesquisa de preço da concorrência serve para descobrir em quais itens isso acontece com a sua loja, e quais você pode cobrar mais caro sem ninguém reparar. O método cabe em meia hora e numa planilha.

O cliente não compara a loja inteira, compara 20 itens

Ninguém guarda na cabeça o preço de 2.000 produtos. O cliente guarda uns 20: o que ele compra toda semana, o que aparece em folheto e o que tem preço redondo. É por esses itens que ele decide se a sua loja é cara ou barata, e é só neles que a comparação com o concorrente acontece de verdade. Os outros 1.980 ele leva pelo preço que estiver.

  • Marcador: o cliente sabe o preço de cor e compara. Arroz, óleo, café, leite, cerveja, papel higiênico, o cimento no depósito, a ração na agropecuária. Aqui você precisa estar perto do mais barato.
  • Complemento: ele leva junto com o marcador e olha o preço de relance. Molho, macarrão, biscoito, a argamassa que vai com o cimento. Pode ficar um pouco acima.
  • Margem: ele compra sem comparar, porque já está na loja e a compra é pequena ou urgente. Tempero, pilha, lâmina, o parafuso avulso. É onde a margem da loja mora.

A maioria das lojas pequenas faz o contrário do que essa divisão pede. Aplica o mesmo markup em tudo, fica cara no arroz, que o cliente nota, e barata no tempero, que ele não notaria. A pesquisa existe para corrigir isso: ela mostra a distância em cada item, e a conta do preço de venda decide quanto cada grupo pode carregar.

Como montar a sua cesta de itens-marcadores

A cesta sai de três listas que a loja já tem. Não precisa de pesquisa com cliente nem de consultoria: precisa do relatório de vendas e de uma volta pelo bairro.

  1. 1Os mais vendidos em quantidade, não em reais. Tire do relatório de vendas por item, o mesmo que alimenta o controle de estoque. Os 30 primeiros entram na lista.
  2. 2O que está no folheto do concorrente. Se ele anuncia, é porque o cliente compara. Pegue o folheto da semana e marque os itens que você também vende.
  3. 3O que o cliente reclama no caixa. Pergunte a quem atende quais produtos ouvem "lá está mais barato". Entram na lista mesmo que vendam pouco: são os que fazem a fama.
  4. 4Corte para 20. Cruze as três listas e fique com os itens que aparecem em duas delas. Dê a cada um o papel: marcador, complemento ou margem. Os de margem entram na pesquisa só para confirmar que você pode cobrar mais.

Exemplo de cesta de um mercadinho de bairro

Imagine uma loja que vende 800 itens. Pela quantidade, os líderes são arroz 5 kg, óleo, açúcar, café, leite, cerveja lata, refrigerante 2 L, pão de forma, papel higiênico e sabão em pó. O folheto do concorrente traz seis desses mais frango congelado e detergente. No caixa, reclamam do arroz e do café. A cesta fecha com 12 marcadores, 5 complementos e 3 itens de margem para controle.

A visita: três lojas, meia hora, sempre no mesmo dia

Pesquise três concorrentes, não dez: o que o cliente compara de verdade e o atacarejo onde ele faz a compra do mês, mais um da mesma faixa que a sua. Vá sempre no mesmo dia da semana e no mesmo horário, porque o preço de quarta de manhã e o de sábado à tarde são pesquisas diferentes. Anote no celular, na planilha deste post, item por item.

Duas regras evitam a pesquisa que engana. A primeira: anote o preço da etiqueta, não o do folheto nem o do cartaz de oferta, e marque quando o item estava em promoção. Promoção de concorrente não é preço, é evento, e igualar sua etiqueta a ela zera a margem do mês. A segunda: compare a mesma gramatura e a mesma marca. Arroz de 5 kg contra arroz de 5 kg, não contra o de 2 kg dividido.

A ficha do Sebrae sobre como pesquisar a concorrência usa a mesma estrutura: três concorrentes por produto e uma coluna com o novo preço decidido na própria folha. A diferença da planilha daqui é que ela faz a conta do índice e sugere a ação, item a item.

O índice que diz se a sua loja está cara

Para cada item, divida o seu preço pelo menor preço entre os concorrentes. Esse é o índice. Em 1,00 você está empatado com o mais barato; em 1,05, 5% acima; em 0,95, 5% abaixo. O que fazer com o número depende do papel do item, e é essa cruzada que a maioria das pesquisas pula.

Papel do itemÍndiceO que fazer
Marcadoracima de 1,03Rever. O cliente nota, e é por esse item que ele chama a loja de cara.
Marcadorentre 0,97 e 1,03Manter. Está no ponto, e brigar por centavos aqui só tira margem.
Marcadorabaixo de 0,97Pode subir até perto do concorrente. Ser o mais barato por folga não traz cliente a mais.
Complementoaté 1,15Manter. Ele leva junto e olha de relance.
Margemqualquer umManter. Só olhe se a diferença passar de 15% e a venda do item cair.
Tolerâncias de exemplo. A planilha deixa você mudar os dois limites na aba Concorrentes.

Digamos que o arroz está a R$ 26,90 na sua loja e a R$ 24,99 no atacarejo: índice 1,08, marcador, rever. O tempero está a R$ 3,49 contra R$ 2,89 no mercado da esquina: índice 1,21, item de margem, manter. A loja que iguala os dois perde R$ 0,60 por tempero sem ganhar um cliente. A loja que iguala só o arroz perde R$ 1,91 por pacote e recupera a fama de barata.

Baixe grátis: planilha de pesquisa de preço da concorrência

A planilha recebe o nome de até três concorrentes e, por produto, o seu preço, o papel do item e o preço visto em cada loja, com a marcação de promoção. Ela calcula o menor preço, aponta quem é o mais barato, dá o índice e a diferença em reais e sugere a ação pela tabela acima. A aba Resumo mostra o índice médio dos marcadores, quantos estão acima da tolerância e quanto você está deixando na mesa onde é barato demais.

O que fazer com o resultado sem zerar a margem

O erro clássico depois da primeira pesquisa é baixar tudo o que estava acima. A loja fica barata, o faturamento sobe um pouco e o lucro some. O caminho é mexer só nos marcadores que passaram da tolerância e compensar nos itens de margem e nos complementos, onde o cliente não compara. É a mesma lógica do reajuste escalonado por categoria, só que de cima para baixo.

Antes de baixar um marcador, confira se o concorrente não está vendendo abaixo do custo de propósito, como chamariz. Se o seu custo na nota é R$ 25,10 e ele vende a R$ 24,99, ele está pagando para ter o cliente na loja, e você não precisa acompanhar. Nesse caso, a resposta é a cotação com outro fornecedor, não a etiqueta.

Quando pesquisar de novo

Marcadores a cada 15 dias, porque é neles que o concorrente mexe. O resto da cesta a cada dois ou três meses, ou quando o fornecedor reajustar. Guarde a pesquisa anterior: a coluna de data da planilha é para isso. Depois de três pesquisas você enxerga o padrão de cada concorrente, e sabe quem baixa na quinzena e quem sobe depois do folheto.

O trabalho pesado não é anotar o preço, é mexer em 20 etiquetas depois sem errar a margem de nenhuma. Num sistema para mercadinho, o relatório de mais vendidos por quantidade entrega a lista dos marcadores pronta, e a alteração de preço em lote mostra custo e margem de cada item antes de confirmar. A etiqueta de gôndola e o preço do caixa saem juntos, e esse recurso está em todos os planos.

Perguntas de quem vai fazer a primeira pesquisa

Posso fotografar a gôndola do concorrente?

Muitas lojas proíbem foto e podem pedir para você parar. Anotar o preço no celular ou num papel não tem o mesmo problema. Discrição resolve: pesquise como cliente, não como fiscal.

E se o concorrente for muito maior que a minha loja?

Pesquise mesmo assim, porque o seu cliente compara com ele. Mas a tolerância dos marcadores pode ser maior, uns 5%, porque o cliente aceita pagar um pouco mais pela proximidade e pelo atendimento.

Vale pesquisar preço na internet em vez de ir na loja?

Para marcador de mercearia e material de construção, não: o preço do site do atacarejo costuma ser outro. Vale para eletrônico, brinquedo e perfumaria, em que o cliente pesquisa no celular antes de entrar.

Hoje, tire o relatório de vendas por quantidade e marque os 20 primeiros. Amanhã, passe nos três concorrentes com a planilha aberta no celular. À noite você vai saber em quais itens a sua loja é chamada de cara, e em quais está dando dinheiro de graça. Mexa nos primeiros e deixe os segundos como estão.

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