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Comprar no Brás para revender: quanto levar e quanto cobrar

Faça a conta da viagem antes de pegar o ônibus: quantas peças trazer, quanto levar em dinheiro e qual preço de etiqueta paga a passagem e o hotel.

Equipe VendaSimples 6 min de leitura
Dona de loja de roupas com sacolas grandes numa rua de atacado cheia de araras, fazendo a conta de comprar no Brás para revender
Neste artigo

Ônibus de madrugada, R$ 3 mil no bolso, três sacolas na volta. Na loja, a peça vai para a arara pelo dobro do que custou no box e, no fim do mês, o lucro não aparece. Comprar no Brás para revender compensa quando a viagem inteira cabe na etiqueta, e ela só cabe se você fizer a conta antes de sair.

Quanto levar para o Brás sai da venda da loja

O valor a levar não é o que tem na conta: é o que a loja vai vender até a próxima compra. Pegue as peças vendidas por semana e multiplique pelas semanas que esta ida precisa cobrir. Digamos 60 peças por semana e uma compra para 4 semanas: 240 peças. A R$ 35 em média, R$ 8.400 em mercadoria.

Em cima disso entram três coisas que a sacoleira experiente já leva e a iniciante descobre no box:

  • Reserva para oportunidade, uns 10% da mercadoria. É o box queimando saldo de coleção e a peça que não estava na lista, mas vai vender.
  • A viagem de quem vai: passagem ida e volta, hotel e comida. De carro, combustível, pedágio e estacionamento. No exemplo, R$ 600.
  • O frete de volta: transportadora, ou a bagagem extra que o ônibus e o avião cobram. Digamos R$ 150.

Somando, a ida do exemplo pede perto de R$ 10 mil: R$ 8.400 de mercadoria, R$ 840 de reserva e R$ 750 de viagem e frete. Leve no cartão da empresa ou no Pix da conta PJ, porque a nota fiscal precisa sair no CNPJ da loja, e isso tem um motivo que vem mais abaixo.

Calcule quanto levar e quanto a peça custa de verdade

Preencha a venda semanal da loja, as semanas que a compra cobre, o preço médio da peça no box e o custo da viagem. A calculadora devolve quanto levar, o custo real de cada peça com a viagem rateada, quanto a ida pesa na margem e o preço de etiqueta que paga tudo isso.

A viagem entra no custo da peça, e a etiqueta precisa saber

Os R$ 750 de viagem e frete não somem: eles se dividem pelas peças que vieram. Com 240 peças, são R$ 3,13 por peça, e a camiseta de R$ 35 passa a custar R$ 38,13. Com 40 peças, os mesmos R$ 750 viram R$ 18,75 por peça, mais da metade do preço do box. A conta da ida ao CEASA que o hortifruti faz é a mesma, só que lá o rateio é por caixa.

Peças trazidasViagem rateada por peçaCusto real da peçaPeso da viagemEtiqueta a 2,2× o custo real
40R$ 18,75R$ 53,7554%R$ 118,25
240R$ 3,13R$ 38,139%R$ 83,88
600R$ 1,25R$ 36,254%R$ 79,75
Exemplo hipotético: a mesma viagem de R$ 750 e a mesma peça de R$ 35, em três tamanhos de compra (valores redondos)

A regra que a gente vê funcionar em loja de bairro: a viagem não pode pesar mais de 5% na peça. Acima disso, ou a compra cobre mais semanas, ou duas lojistas juntam o pedido e dividem a passagem, ou o fornecedor que entrega com frete fica mais barato que o box. Depois, o markup entra sobre o custo real, como em qualquer conta de preço de roupa para revenda.

Compre no CNPJ e peça a nota: o barato sem nota custa caro

No box, "sem nota sai mais barato" é oferta comum. Para quem tem loja, é armadilha dupla. Mercadoria sem documento fiscal é irregular na estrada: a Sefaz faz barreira nas rodovias e na rodoviária, e a sacola apreendida não volta. E sem nota de entrada a peça não existe no estoque: ela sai no cupom do caixa com custo zero, e o lucro do mês vira ficção.

Peça a NF-e no CNPJ da loja, com o XML enviado para o seu e-mail. Em casa, o arquivo vira nota de entrada no sistema em dois cliques, com cada peça cadastrada no custo que você pagou. A loja de rua emite com facilidade; a barraca da feira nem sempre, e isso pesa na escolha de onde comprar.

O imposto que chega depois da viagem

Loja fora de São Paulo descobre esse custo no mês seguinte. A roupa comprada em outro estado paga, na entrada do seu estado, uma diferença de ICMS que a empresa do Simples Nacional recolhe por fora, chamada de antecipação ou DIFAL, prevista na Lei do Simples. A guia aparece quando o contador lança a nota de entrada.

O percentual é de cada estado e muda com o produto. Confirme com o contador qual é a alíquota de antecipação do seu estado para roupa vinda de SP, e ponha esse número na calculadora acima: ele entra no custo real da peça antes do markup, não depois. Loja em São Paulo não paga essa diferença.

Pedido mínimo, pagamento e troca: o que perguntar no box

Feira da Madrugada e loja de rua são dois jogos. Na feira o preço é menor e o pedido mínimo costuma ser por peça ou por cor, quase tudo em dinheiro ou Pix, e troca de peça com defeito depende de boa vontade. Na loja fixa a grade vem fechada (P, M, G, GG), aceita cartão, emite nota e troca o defeito. Antes de pagar, pergunte:

  • Qual é o mínimo: por peça, por grade ou por valor? Grade fechada de 6 peças é comum na loja de rua.
  • Emite NF-e no CNPJ? Se a resposta demorar, a nota não vai sair.
  • Como é a troca de defeito e até quando. Confira costura, zíper e etiqueta de composição ali, na frente do vendedor.
  • Tem reposição? A peça que vende bem precisa existir de novo daqui a três semanas, de preferência sem outra viagem.

Da sacola para a arara: como o sistema fecha a conta

A compra do Brás só vira lucro quando cada peça entra no controle de estoque com o custo certo. Com a nota de entrada lida pelo XML, o sistema cadastra a grade de uma vez, rateia frete e viagem no custo de cada item e mostra a margem real na hora de imprimir a etiqueta. No fim do mês, o relatório diz qual box valeu a viagem.

É assim que um sistema para loja de roupas paga a própria mensalidade: na peça que ia para a arara com a viagem fora da conta. Os planos de entrada já vêm com grade, nota de entrada e etiqueta.

Perguntas de quem vai pela primeira vez

O Brás vende para quem não tem CNPJ?

A maioria das lojas vende, com preço de atacado a partir do pedido mínimo. Mas sem CNPJ a nota sai no CPF e a peça não entra como estoque da empresa, o que atrapalha o custo e o imposto depois.

Qual é o melhor dia para comprar no Brás?

Em dia de semana, de manhã, as lojas estão abastecidas e com menos fila; sábado é o dia de maior movimento e menor paciência para negociar. Confira o horário de cada loja antes de ir, porque a feira abre de madrugada e fecha cedo.

Dá para comprar do Brás sem ir até lá?

Boa parte das lojas vende por WhatsApp e manda por transportadora. O frete entra no custo da peça do mesmo jeito que a viagem, então faça a mesma conta: rateie o frete pelas peças e compare com a ida.

Antes da próxima ida, rode a calculadora com a venda real da loja e o preço médio da última compra. Se a viagem passar de 5% da peça, mude o tamanho da compra ou a frequência, não o markup. E volte com a nota no CNPJ: é ela que transforma três sacolas em 240 itens com custo, margem e etiqueta certos no sistema.

Tags:Loja de RoupasBrásAtacadoComprasPrecificaçãoModa
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