Como comprar no CEASA para revender: a conta de cada ida
Saiba quanto cada ida ao CEASA custa de verdade, quanto comprar de cada item para não sobrar e quando o distribuidor entregando sai mais barato.

Neste artigo
Quatro da manhã, a van na fila do portão e uma lista no celular: 20 caixas de tomate, 10 de banana, alface para três dias. Às oito, a mercadoria está na loja e o dono não faz ideia de quanto a viagem custou. Comprar no CEASA para revender é um bom negócio quando a ida cabe na diferença de preço, e a conta é curta. Ela está abaixo, com a calculadora.
Quem pode comprar no CEASA e o que levar
Qualquer pessoa entra e compra na maioria das centrais. A CEASA de Goiás, por exemplo, diz isso nas perguntas frequentes: o comércio é atacadista, mas a porta é aberta, e quem quer entrar de carro para carregar precisa de cadastro na portaria. Cada central tem regra própria de horário e de adesivo; ligue antes da primeira ida.
O que muda para a loja é comprar como empresa. Peça a nota com o CNPJ do hortifruti em todo box: sem ela, a caixa de tomate entra no estoque sem origem, o custo não aparece no sistema e a fiscalização pergunta de onde veio. Muitos permissionários emitem NF-e na hora; outros dão um romaneio e mandam a nota depois. Combine antes de pagar.
- Cartão do CNPJ e inscrição estadual salvos no celular, para o box preencher a nota sem erro.
- Lista por item com quantidade e preço-teto, feita na loja na véspera. Comprar de olho é como sobra caixa.
- Cotação da semana nos boletins do Prohort, da Conab, que publica os preços de atacado das centrais. É a sua referência para saber se o box está pedindo caro.
- Dinheiro e maquininha do box conferidos: boa parte vende só à vista, e o Pix na madrugada às vezes cai fora do horário do banco.
Quanto comprar de cada item para não sobrar
A quantidade certa sai de três números que a loja já tem: quanto vende por dia de cada item, quantos dias faltam até a próxima ida e quanto se perde no caminho entre a caixa e a gôndola. Digamos que o tomate venda 15 kg por dia, a próxima ida é em 3 dias e a quebra fica em 10%:
- 1Venda até a próxima ida: 15 kg × 3 dias = 45 kg.
- 2Acrescente a quebra: 45 ÷ (1 − 0,10) = 50 kg.
- 3Desconte o que ainda está na loja e vai aguentar: 50 − 8 kg em bom estado = 42 kg, ou duas caixas de 20 kg e um pouco de folga.
Folha e fruta madura não aguentam os 3 dias: para elas, a conta é feita com 1 ou 2 dias, mesmo que isso obrigue a ir duas vezes. A perda por vencimento pesa mais do que a viagem extra, e é ela que aparece na quebra de estoque do fim do mês. Comprar a mais "porque estava barato" é a forma mais comum de transformar desconto em lixo.
Terça para 3 dias, sexta para 4
Calcule o custo de cada ida ao CEASA
A ida tem quatro custos: o combustível, o desgaste do veículo, o que se paga de pedágio e estacionamento, e as horas de quem vai. Esse último é o que ninguém conta, e é o maior. No exemplo abaixo, com R$ 1.500 comprados, 40 km rodados e 4 horas fora da loja, a ida custa perto de R$ 157: mais de R$ 10 em cada R$ 100 de mercadoria.
O resultado que decide é o último: a compra por ida a partir da qual o CEASA compensa. Se o distribuidor entrega cobrando 15% a mais e a sua ida custa R$ 157, o empate fica em R$ 1.045. Comprando menos do que isso por viagem, a madrugada sai mais cara do que o frete do outro. Comprando mais, cada real acima do empate é economia.
CEASA ou distribuidor entregando: quando cada um compensa
Não é uma escolha de uma vez só. A maioria dos hortifrutis que a gente vê funcionando bem faz as duas coisas: vai à central para o que gira muito e recebe do distribuidor o que gira pouco ou pesa demais. A tabela resume onde cada um ganha.
| O que pesa | Ir ao CEASA | Distribuidor entregando |
|---|---|---|
| Preço da mercadoria | Menor, e negociável no box com a cotação na mão | Maior: a tabela já inclui frete e margem dele |
| Custo escondido | Viagem, veículo e horas do dono ou do funcionário | Pedido mínimo e prazo de entrega que não é o seu |
| Qualidade | Você escolhe caixa por caixa | Vem o que o separador pegou; a conferência é na descarga |
| Variedade e pouca quantidade | Ruim para item que vende 2 kg por semana | Bom: entra na mesma entrega sem custo de ida |
| Prazo de pagamento | Quase sempre à vista | Boleto de 7 a 14 dias em muitos casos, o que ajuda o caixa |
| Nota fiscal | Pedir em cada box, com o CNPJ | Uma nota por entrega, com tudo dentro |
Duas regras práticas saem daí. Item que vende muito e aguenta 3 dias vai para a lista do CEASA. Item leve, de pouca saída ou que exige refrigeração vai para o distribuidor, mesmo custando mais, porque a ida não se paga com ele. E quando duas lojas do mesmo bairro dividem a viagem, o empate da calculadora cai pela metade para cada uma.
Como conferir e lançar a compra quando ela chega
A caixa que chega não é a caixa que saiu do box: banana amassa, folha murcha, e caixa de 20 kg às vezes pesa 18. Pese as três ou quatro categorias mais caras na chegada e anote a diferença na própria nota. Essa quebra de transporte entra no custo, senão o preço das frutas e verduras sai calculado com um quilo que não existe.
- Lance a nota de entrada no mesmo dia, item a item, com o peso conferido. Nota lançada é custo atualizado.
- Rateie o custo da ida pelo valor de cada item da compra. A calculadora deu a porcentagem; o sistema aplica.
- Recalcule o preço da balança nos itens em que o custo mudou mais de 5%. Tomate que subiu no box e ficou com o preço da semana passada é margem que sumiu.
- Registre a quebra de chegada como perda, não como venda a zero: é assim que a loja descobre que vale trocar de box.
Num sistema para mercadinho e hortifruti, a entrada da nota atualiza o custo, o rateio da viagem entra por porcentagem e a balança passa a vender pelo preço novo sem alguém digitar etiqueta. Nota de entrada e balança no PDV fazem parte de todos os planos.
O que perguntam sobre a compra no CEASA
O box não emite nota. Posso comprar mesmo assim?
Pode comprar, mas a mercadoria entra na loja sem documento, e isso vira problema na fiscalização e no custo do sistema. Prefira o box vizinho que emite. Se for inevitável, guarde o romaneio e pergunte ao contador como lançar a entrada de produtor rural sem nota.
Que dia da semana é mais barato?
Depende da central e do item. O jeito de saber é olhar a cotação diária do Prohort da Conab por duas ou três semanas e comparar com os preços que você pagou. A regra geral que vale em qualquer central é que a última hora da feira vende mais barato o que sobrou, com qualidade menor.
Vale a pena mandar um funcionário em vez de ir eu mesmo?
Se ele sabe escolher caixa e negociar, a hora dele custa menos que a sua, e a calculadora mostra a diferença. O risco é a qualidade: comece indo junto por algumas semanas e deixe a lista com preço-teto por item.
Antes da próxima madrugada, rode a calculadora com a última nota e o quilômetro real. Se a compra por ida ficou abaixo do empate, junte duas idas numa ou passe os itens de pouca saída para o distribuidor. Com o custo da viagem dentro do preço, a balança cobra o que a mercadoria custou de verdade, e não o que estava escrito no box.
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