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Como comprar no CEASA para revender: a conta de cada ida

Saiba quanto cada ida ao CEASA custa de verdade, quanto comprar de cada item para não sobrar e quando o distribuidor entregando sai mais barato.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Dono de hortifruti carregando caixas de verduras numa van de madrugada no pátio do CEASA, ilustrando como comprar no CEASA para revender
Neste artigo

Quatro da manhã, a van na fila do portão e uma lista no celular: 20 caixas de tomate, 10 de banana, alface para três dias. Às oito, a mercadoria está na loja e o dono não faz ideia de quanto a viagem custou. Comprar no CEASA para revender é um bom negócio quando a ida cabe na diferença de preço, e a conta é curta. Ela está abaixo, com a calculadora.

Quem pode comprar no CEASA e o que levar

Qualquer pessoa entra e compra na maioria das centrais. A CEASA de Goiás, por exemplo, diz isso nas perguntas frequentes: o comércio é atacadista, mas a porta é aberta, e quem quer entrar de carro para carregar precisa de cadastro na portaria. Cada central tem regra própria de horário e de adesivo; ligue antes da primeira ida.

O que muda para a loja é comprar como empresa. Peça a nota com o CNPJ do hortifruti em todo box: sem ela, a caixa de tomate entra no estoque sem origem, o custo não aparece no sistema e a fiscalização pergunta de onde veio. Muitos permissionários emitem NF-e na hora; outros dão um romaneio e mandam a nota depois. Combine antes de pagar.

  • Cartão do CNPJ e inscrição estadual salvos no celular, para o box preencher a nota sem erro.
  • Lista por item com quantidade e preço-teto, feita na loja na véspera. Comprar de olho é como sobra caixa.
  • Cotação da semana nos boletins do Prohort, da Conab, que publica os preços de atacado das centrais. É a sua referência para saber se o box está pedindo caro.
  • Dinheiro e maquininha do box conferidos: boa parte vende só à vista, e o Pix na madrugada às vezes cai fora do horário do banco.

Quanto comprar de cada item para não sobrar

A quantidade certa sai de três números que a loja já tem: quanto vende por dia de cada item, quantos dias faltam até a próxima ida e quanto se perde no caminho entre a caixa e a gôndola. Digamos que o tomate venda 15 kg por dia, a próxima ida é em 3 dias e a quebra fica em 10%:

  1. 1Venda até a próxima ida: 15 kg × 3 dias = 45 kg.
  2. 2Acrescente a quebra: 45 ÷ (1 − 0,10) = 50 kg.
  3. 3Desconte o que ainda está na loja e vai aguentar: 50 − 8 kg em bom estado = 42 kg, ou duas caixas de 20 kg e um pouco de folga.

Folha e fruta madura não aguentam os 3 dias: para elas, a conta é feita com 1 ou 2 dias, mesmo que isso obrigue a ir duas vezes. A perda por vencimento pesa mais do que a viagem extra, e é ela que aparece na quebra de estoque do fim do mês. Comprar a mais "porque estava barato" é a forma mais comum de transformar desconto em lixo.

Terça para 3 dias, sexta para 4

Imagine o Seu Jorge, que tem um sacolão de bairro e vai ao CEASA terça e sexta. Na terça ele compra para 3 dias; na sexta, para 4, porque o sábado vende o dobro e o domingo quase nada. A lista dele tem a venda média por dia de cada item nos dois trechos da semana, não uma média única. Foi isso que fez a sobra de segunda-feira cair pela metade.

Calcule o custo de cada ida ao CEASA

A ida tem quatro custos: o combustível, o desgaste do veículo, o que se paga de pedágio e estacionamento, e as horas de quem vai. Esse último é o que ninguém conta, e é o maior. No exemplo abaixo, com R$ 1.500 comprados, 40 km rodados e 4 horas fora da loja, a ida custa perto de R$ 157: mais de R$ 10 em cada R$ 100 de mercadoria.

O resultado que decide é o último: a compra por ida a partir da qual o CEASA compensa. Se o distribuidor entrega cobrando 15% a mais e a sua ida custa R$ 157, o empate fica em R$ 1.045. Comprando menos do que isso por viagem, a madrugada sai mais cara do que o frete do outro. Comprando mais, cada real acima do empate é economia.

CEASA ou distribuidor entregando: quando cada um compensa

Não é uma escolha de uma vez só. A maioria dos hortifrutis que a gente vê funcionando bem faz as duas coisas: vai à central para o que gira muito e recebe do distribuidor o que gira pouco ou pesa demais. A tabela resume onde cada um ganha.

O que pesaIr ao CEASADistribuidor entregando
Preço da mercadoriaMenor, e negociável no box com a cotação na mãoMaior: a tabela já inclui frete e margem dele
Custo escondidoViagem, veículo e horas do dono ou do funcionárioPedido mínimo e prazo de entrega que não é o seu
QualidadeVocê escolhe caixa por caixaVem o que o separador pegou; a conferência é na descarga
Variedade e pouca quantidadeRuim para item que vende 2 kg por semanaBom: entra na mesma entrega sem custo de ida
Prazo de pagamentoQuase sempre à vistaBoleto de 7 a 14 dias em muitos casos, o que ajuda o caixa
Nota fiscalPedir em cada box, com o CNPJUma nota por entrega, com tudo dentro
CEASA e distribuidor comparados pelo que muda no dia a dia do hortifruti

Duas regras práticas saem daí. Item que vende muito e aguenta 3 dias vai para a lista do CEASA. Item leve, de pouca saída ou que exige refrigeração vai para o distribuidor, mesmo custando mais, porque a ida não se paga com ele. E quando duas lojas do mesmo bairro dividem a viagem, o empate da calculadora cai pela metade para cada uma.

Como conferir e lançar a compra quando ela chega

A caixa que chega não é a caixa que saiu do box: banana amassa, folha murcha, e caixa de 20 kg às vezes pesa 18. Pese as três ou quatro categorias mais caras na chegada e anote a diferença na própria nota. Essa quebra de transporte entra no custo, senão o preço das frutas e verduras sai calculado com um quilo que não existe.

  • Lance a nota de entrada no mesmo dia, item a item, com o peso conferido. Nota lançada é custo atualizado.
  • Rateie o custo da ida pelo valor de cada item da compra. A calculadora deu a porcentagem; o sistema aplica.
  • Recalcule o preço da balança nos itens em que o custo mudou mais de 5%. Tomate que subiu no box e ficou com o preço da semana passada é margem que sumiu.
  • Registre a quebra de chegada como perda, não como venda a zero: é assim que a loja descobre que vale trocar de box.

Num sistema para mercadinho e hortifruti, a entrada da nota atualiza o custo, o rateio da viagem entra por porcentagem e a balança passa a vender pelo preço novo sem alguém digitar etiqueta. Nota de entrada e balança no PDV fazem parte de todos os planos.

O que perguntam sobre a compra no CEASA

O box não emite nota. Posso comprar mesmo assim?

Pode comprar, mas a mercadoria entra na loja sem documento, e isso vira problema na fiscalização e no custo do sistema. Prefira o box vizinho que emite. Se for inevitável, guarde o romaneio e pergunte ao contador como lançar a entrada de produtor rural sem nota.

Que dia da semana é mais barato?

Depende da central e do item. O jeito de saber é olhar a cotação diária do Prohort da Conab por duas ou três semanas e comparar com os preços que você pagou. A regra geral que vale em qualquer central é que a última hora da feira vende mais barato o que sobrou, com qualidade menor.

Vale a pena mandar um funcionário em vez de ir eu mesmo?

Se ele sabe escolher caixa e negociar, a hora dele custa menos que a sua, e a calculadora mostra a diferença. O risco é a qualidade: comece indo junto por algumas semanas e deixe a lista com preço-teto por item.

Antes da próxima madrugada, rode a calculadora com a última nota e o quilômetro real. Se a compra por ida ficou abaixo do empate, junte duas idas numa ou passe os itens de pouca saída para o distribuidor. Com o custo da viagem dentro do preço, a balança cobra o que a mercadoria custou de verdade, e não o que estava escrito no box.

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