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Como precificar calçados: passo a passo em 6 etapas (2026)

Em calçado, o preço de etiqueta precisa pagar o par que vende cheio e o par 34 que fica encalhado até a liquidação. Veja a conta completa em 6 etapas, teste na calculadora com um modelo da sua loja e baixe a planilha para precificar a coleção inteira.

Equipe VendaSimples 11 min de leitura
Lojista precificando calçados com caixas de tênis, etiquetas de preço e calculadora no balcão da loja
Neste artigo

Saber como precificar calçados é diferente de precificar qualquer outro produto do varejo por um motivo que a maioria dos guias ignora: a grade. Você compra o tênis em grade fechada (do 34 ao 43, com mais pares nos números do meio), vende os números centrais a preço cheio e fica com as pontas encalhadas até a liquidação. Se o preço de etiqueta não pagar essa sobra, a margem que parecia boa no fechamento da compra some no fim da estação. Neste guia você faz a conta completa em 6 etapas, entende qual markup o calçado aguenta, testa na calculadora com um modelo real da sua loja e baixa a planilha para precificar a coleção inteira de uma vez.

Qual a margem de lucro ideal de calçados?

A loja de calçados costuma trabalhar com markup entre 2 e 2,5 vezes o custo do par (preço de etiqueta de 100% a 150% acima do custo), o que resulta em margem bruta de 50% a 60% sobre o preço e margem líquida, depois de cartão, imposto e liquidação, na faixa de 15% a 30%. Tênis de marca forte e produto básico de giro alto ficam perto do piso, porque o cliente compara preço; sandália, bota e modelo exclusivo aguentam o teto. O número certo para a sua loja sai da conta das etapas abaixo, não de uma média de mercado: é o seu custo, a sua sobra de grade e a sua despesa de venda que definem a etiqueta. A lógica geral de margem por segmento está no guia de margem de lucro ideal no varejo.

Etapa 1: calcule o custo real do par (não o da nota)

O custo que entra na conta não é o preço unitário da nota do fornecedor. É o preço da nota mais o frete da caixa rateado por par, mais a diferença de ICMS quando você compra de outro estado, mais a embalagem que você troca quando a caixa chega amassada. Uma grade de 12 pares a R$ 60 com R$ 60 de frete e R$ 3 de diferença de imposto por par custa, na verdade, R$ 68 por par, e não R$ 60. Precificar sobre R$ 60 é dar 12% de desconto invisível em todos os pares antes de abrir a loja. A conta detalhada, com perdas e taxa de cartão, está no guia do custo real do produto.

Etapa 2: coloque a sobra de grade na conta

Aqui está o que diferencia calçado de roupa. Numa grade típica de 12 pares, de 2 a 3 pares são numerações de ponta (34, 35, 42, 43) que giram devagar e quase sempre saem só na liquidação, com 30% a 50% de desconto. Isso significa que uns 15% a 25% dos pares de cada modelo não vão render o preço cheio. O erro é fingir que todos os pares vendem pela etiqueta e descobrir no fim da estação que a margem real ficou metade da planejada. A solução é simples: o preço cheio precisa carregar o desconto que a sobra vai receber. Se 15% dos pares saem com 30% de desconto, a receita média por par é 95,5% da etiqueta (1 − 0,15 × 0,30), e é sobre esses 95,5% que a margem precisa fechar.

A grade que você compra define a sobra que você vai liquidar

Antes de discutir preço, discuta grade com o fornecedor. Pedir grade com menos pares nas pontas (ou repor só os números do meio) reduz a sobra de 20% para 8% e vale mais que qualquer negociação de 5% no custo. Sistema com controle de estoque por numeração mostra, modelo a modelo, quais números encalham: é esse dado que muda a próxima compra. O guia do sistema para loja de calçados explica o controle por grade.

Etapa 3: some as despesas que incidem sobre cada venda

Toda venda de calçado carrega despesas proporcionais ao preço: taxa de cartão (calçado vende muito no parcelado, que é a modalidade mais cara da maquininha), imposto da sua faixa do Simples e comissão do vendedor. Somadas, ficam entre 10% e 18% do preço na maioria das lojas. Use a média ponderada de como o seu cliente paga: se 60% das vendas saem em 3 a 6 vezes, a taxa média de cartão é bem maior do que a do débito. O guia vender parcelado sem juros compensa? mostra quanto o parcelado custa de verdade e como embutir isso no preço.

Etapa 4: aplique o markup divisor com o fator de grade

Com o custo real, a sobra de grade e as despesas na mão, a fórmula que fecha a conta é o markup divisor corrigido pela grade: preço de etiqueta = custo real ÷ (fator de grade × (1 − (despesas% + margem%) ÷ 100)), em que fator de grade = 1 − (sobra% × desconto da liquidação%). O divisor garante a margem sobre o preço de venda, que é onde cartão e imposto mordem; o fator de grade garante que a margem sobreviva à liquidação. A diferença entre margem sobre o preço e markup sobre o custo, e por que "multiplicar por 2" não entrega 50% de margem, está no guia de como calcular o preço de venda.

Exemplo completo: o tênis de R$ 60 na nota

Custo da nota R$ 60 + frete e imposto R$ 5 = custo real de R$ 65. Sobra de grade de 15% liquidada com 30% de desconto: fator de grade = 1 − 0,15 × 0,30 = 0,955. Despesas de venda 12% + margem desejada 30% = 42%. Preço = 65 ÷ (0,955 × 0,58) = R$ 117,35 (markup de 1,81×). Sem contar a grade, a etiqueta sairia a R$ 112,07: os R$ 5,28 de diferença por par são o que paga a liquidação do 34 e do 43. E o preço mínimo na promoção, abaixo do qual o par não paga nem o custo com as despesas, é 65 ÷ 0,88 = R$ 73,86.

Calcule o preço do seu calçado agora

Preencha com um modelo real: custo do par na nota, frete e imposto rateados, a sobra de grade que você observa na sua loja, o desconto que costuma dar na liquidação, as despesas da venda e a margem que quer. A calculadora devolve o preço de etiqueta que paga a grade, o markup equivalente e até onde dá para baixar na promoção sem vender abaixo do custo.

Etapa 5: defina o preço de liquidação antes de precisar dele

Liquidação de calçado não é decisão de última hora: ela já estava embutida na etiqueta na etapa 2. O que falta é definir o piso: o preço mínimo que ainda cobre o custo real e as despesas da venda (custo ÷ (1 − despesas%)). Abaixo dele, cada par liquidado gera prejuízo, e às vezes é melhor devolver ao fornecedor, trocar por numeração que gira ou vender em lote. Entre a etiqueta e o piso, escalone: 20% de desconto nas pontas de numeração no fim do primeiro mês, 30% no segundo, e o piso só no fechamento da estação. O guia de como dar desconto sem ter prejuízo detalha a régua de desconto por margem.

Etapa 6: precifique por categoria, não por um markup único

CategoriaMarkup típico sobre o custo realSobra de grade comumPor que a faixa é essa
Tênis de marca forte1,7× a 2,0×10% a 15%Cliente compara preço na internet; margem menor compensada pelo giro
Sapato social e casual2,0× a 2,5×15% a 20%Menos comparação de preço, grade mais aberta (mais números de ponta)
Sandália e chinelo2,0× a 2,8×10% a 15%Custo baixo, giro alto no verão, sobra pequena se a compra for na estação
Bota e modelo de estação2,2× a 3,0×20% a 30%Janela de venda curta: a sobra é alta e precisa estar na etiqueta
Infantil2,0× a 2,5×15% a 25%Numeração muda rápido, criança cresce e a ponta de grade encalha
Faixas de referência de markup por categoria de calçado (ajuste pela sua conta)

Repare que o markup maior não significa margem maior: bota tem markup alto justamente porque a sobra de grade é alta. É a conta das etapas 1 a 4, feita por categoria, que diz qual multiplicador a sua loja precisa em cada linha.

Baixe grátis: planilha de precificação de calçados

Fazer essa conta modelo a modelo na cabeça não escala: uma compra de coleção chega com dezenas de referências, grades e custos diferentes. Baixe a planilha gratuita abaixo: você lança cada referência com custo, frete, sobra de grade, desconto de liquidação, despesas e margem, e ela devolve o preço de etiqueta sugerido, o preço mínimo de promoção e a margem real do preço que você pratica hoje.

Os 5 erros que mais derrubam o lucro da loja de calçados

  • Precificar pelo preço da nota: frete e diferença de ICMS somem da conta e viram desconto invisível em todos os pares.
  • Fingir que a grade inteira vende a preço cheio: a margem planejada no fechamento da compra não é a margem que chega no fim da estação.
  • Usar a taxa do débito como se fosse a média: calçado vende parcelado, e o parcelado em 6 vezes custa 2 a 3 vezes mais que o débito.
  • Liquidar sem piso: "50% off" em par que já tinha margem apertada é vender abaixo do custo para limpar prateleira.
  • Comprar a grade que o fornecedor quer vender: sem dado de qual número encalha, a próxima compra repete a mesma sobra.

Todos os cinco erros têm a mesma raiz: falta de registro. Precificação sem controle de estoque por numeração é conta feita no escuro, porque é o giro de cada número que diz qual modelo aguenta margem cheia e qual precisa girar mais barato. Quem vende calçados encontra esse controle por grade na página do sistema para moda e vestuário, e a mesma lógica aplicada a peças de roupa está no guia de como precificar roupas. Para se aprofundar em custos e formação de preço no comércio, o material do Sebrae sobre custos e preço de venda no comércio é uma boa referência oficial.

Perguntas frequentes sobre precificação de calçados

Quanto cobrar em cima do custo de um calçado?

A loja de calçados costuma trabalhar com markup de 2 a 2,5 vezes o custo real do par (custo da nota mais frete e imposto). O número certo sai da fórmula: preço = custo real ÷ (fator de grade × (1 − (despesas% + margem%) ÷ 100)), em que o fator de grade desconta os pares que só saem na liquidação.

Qual a margem de lucro de uma loja de calçados?

A margem bruta fica em geral entre 50% e 60% sobre o preço de etiqueta, e a margem líquida, depois de taxa de cartão, imposto, comissão e liquidação das sobras de grade, entre 15% e 30%. Tênis de marca fica perto do piso; bota, sandália e modelo exclusivo, perto do teto.

Como calcular o preço de venda de um tênis?

Some ao custo da nota o frete e o imposto rateados por par para achar o custo real. Defina a sobra de grade (pares que só saem em promoção) e o desconto médio da liquidação. Some as despesas da venda (cartão, imposto, comissão) e a margem desejada. Aplique: preço = custo real ÷ ((1 − sobra × desconto) × (1 − (despesas + margem) ÷ 100)).

Qual o preço mínimo para liquidar um calçado?

O piso é o preço que ainda cobre o custo real e as despesas da venda: custo real ÷ (1 − despesas%). Um par de custo real R$ 65 com 12% de despesas tem piso de R$ 73,86. Abaixo disso, cada par liquidado dá prejuízo, e vale mais devolver, trocar de numeração com o fornecedor ou vender em lote.

Como reduzir a sobra de grade na loja de calçados?

Registre o estoque por numeração e acompanhe qual número encalha em cada modelo. Com esse dado, negocie grade com menos pares nas pontas, reponha só os números do meio e liquide as pontas cedo, com desconto pequeno, em vez de esperar o fim da estação para dar 50%.

Precificar calçado é aceitar que a grade inteira nunca vende a preço cheio e colocar isso na etiqueta antes, não descobrir depois. Custo real do par, sobra de grade, despesas da venda e margem por categoria fecham a conta; o piso de liquidação protege a margem na hora de limpar a prateleira. Com um sistema de gestão registrando custo e estoque por numeração, a conta feita uma vez continua valendo a cada nova coleção, e a sobra de grade deixa de ser surpresa para virar dado da próxima compra.

Tags:PrecificaçãoCalçadosMargem de LucroModaGestão
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