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Perda no hortifruti: como reduzir sem baixar o preço

Descubra em que ponto da banca o hortifruti perde dinheiro e o que fazer em cada um, com a calculadora que mostra quanto da sua margem vai para o lixo.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Dono de hortifruti separando tomates maduros de uma caixa na banca, com a balança ao lado, ilustrando a perda no hortifruti
Neste artigo

Segunda de manhã, a caixa de tomate que chegou na sexta está com o fundo mole. Vão 4 quilos para o lixo antes de a loja abrir, e ninguém anota. A perda no hortifruti nasce em quatro pontos, e só um deles é a fruta madura: ela começa no pedido e termina no que ninguém pesou. Abaixo, onde ela nasce, o que fazer em cada ponto e quanto ela custa.

Quanto custa a perda: a conta que a lixeira esconde

O quilo jogado fora custa o preço da nota, mas o buraco é maior. Digamos uma banca que compra R$ 3.000 por semana e perde 12% disso. São R$ 360 por semana de mercadoria paga ao fornecedor, ou perto de R$ 1.560 por mês. Parece pouco perto do faturamento; comparado com o lucro, é outra história.

Com o preço 60% acima do custo, o que sobra na banca gera cerca de R$ 5.300 de lucro bruto no mês. Os R$ 1.560 perdidos equivalem a 30% desse lucro. E para cobrir a perda vendendo mais, a loja precisaria faturar uns R$ 4.150 a mais todo mês, porque só a margem de cada venda nova paga o prejuízo. É por isso que subir o preço para compensar raramente resolve: o cliente compara com a feira e leva menos.

Calcule quanto a perda leva da sua margem

Pegue a soma das notas de uma semana normal, a porcentagem que foi para o lixo (se nunca mediu, pese a sobra por sete dias) e quanto o seu preço fica acima do custo. A calculadora mostra o dinheiro perdido por mês, a fatia do lucro que ele representa e o que volta para o caixa se você chegar na meta.

Se a segunda linha veio acima de 25%, a perda é o maior problema da banca, na frente do preço da CEASA e do concorrente. Se veio "toda a margem", pare de comprar na quantidade atual antes de qualquer outra medida: a loja está pagando para vender.

Onde a perda nasce: os 4 pontos da banca

A fruta que apodrece é o fim da história, não o começo. Nas lojas em que a gente acompanha o hortifruti, a perda se divide entre a compra, o recebimento, a exposição e o giro, e cada ponto pede uma correção diferente.

  • Compra: pedir a caixa fechada de 20 kg de um item que vende 8 kg até o próximo dia de feira. A perda já está decidida quando o caminhão sai da CEASA. Vale pedir meia caixa e pagar um pouco mais no quilo.
  • Recebimento: aceitar caixa com o fundo machucado ou fruta já no ponto. Abrir duas caixas de cada lote na hora da entrega e devolver o que veio maduro demais é o minuto mais rentável do dia.
  • Exposição e manuseio: pilha alta, fruta em cima de fruta, cliente revirando a banca e sol da tarde na vitrine. A Embrapa lista o manuseio excessivo e o armazenamento inadequado entre as principais causas de perda depois da colheita.
  • Giro: o que ficou de sexta para segunda sem promoção nem processamento. Folhosa e banana não esperam o fim de semana; raiz e cebola esperam.

Meça por uma semana em qual ponto a sua banca perde mais. Quase sempre é a compra, e quase sempre o dono acha que é a exposição, porque é a que ele vê.

O que fazer com cada produto pelo estado em que ele está

A decisão sobre a fruta precisa ser tomada todo dia, cedo, e não pode depender de quem está de folga. A tabela abaixo é a regra que funciona numa banca pequena, para colar na parede do estoque.

Estado do produtoOnde ficaPreçoO que fazer hoje
Firme, no ponto de compraFundo da bancaCheioRepor por cima do que já estava, nunca por baixo
No ponto de consumoFrente da banca, altura dos olhosCheioÉ o que vende hoje: destaque, sem misturar com o verde
Maduro demais para amanhãBandeja de oferta separada30% a 50% abaixoEtiqueta de "consuma hoje" e aviso no caixa
Machucado, mas bom por dentroCozinha ou estoqueVira produtoSuco, polpa, salada pronta ou doação com recibo
EstragadoLixo, pesado antesZeroBaixa no sistema com motivo, no mesmo dia
Regra diária da banca (ajuste os prazos ao seu clima e à sua geladeira)

A linha mais importante é a última. Sem pesar e dar baixa, a perda de hoje continua no estoque do sistema, o pedido de amanhã sai errado e o relatório de margem mente. A quebra de estoque que ninguém registra vira "sumiço" no inventário e ninguém sabe se foi tomate podre ou furto.

Comprar mais vezes ou comprar mais barato?

O fornecedor dá desconto na caixa fechada e no pedido grande, e é aí que a perda entra pela porta da frente. Imagine a alface: a caixa de 24 pés sai a R$ 1,50 cada e a meia caixa a R$ 1,80. Se você vende 12 pés até a próxima entrega, a caixa cheia custa R$ 36 e joga R$ 18 fora; a meia caixa custa R$ 21,60 e não perde nada.

A regra que a gente vê funcionar é separar os produtos em dois ritmos. Folhosas, morango, banana madura e cogumelo são compra de dois em dois dias, mesmo pagando mais no quilo. Batata, cebola, laranja, maçã e abóbora aguentam a compra semanal com desconto. Ao comprar na CEASA, o pedido da segunda lista é o que justifica a viagem; a primeira vem de fornecedor que entrega.

Exemplo do balcão

Imagine a banca do seu Nilton, que comprava manga por caixa de 10 kg às segundas e vendia 6 kg até quarta, quando a manga já estava passando. Ele trocou por 6 kg na segunda e 6 kg na quinta, pagando R$ 0,40 a mais por quilo. Gastou R$ 4,80 a mais por semana e parou de jogar R$ 16 de manga fora. Dá R$ 48 por mês num item só, sem tocar no preço da etiqueta.

Rotina de fechamento da banca em 10 minutos

A perda do hortifruti se combate no fim do dia, quando ainda dá para decidir o destino do que sobrou. A rotina abaixo cabe em dez minutos e é a mesma todos os dias, inclusive sábado.

  1. 1Separe em três montes o que sobrou na banca: vende amanhã com preço cheio, vende amanhã em oferta, não vende mais.
  2. 2Pese o terceiro monte e dê baixa no sistema com o motivo. É o número que alimenta a calculadora e o pedido.
  3. 3Etiquete a oferta de amanhã hoje, com preço e cartaz prontos, para a bandeja sair às 7h e não às 10h.
  4. 4Leve o machucado para a cozinha ou para a doação, e anote o peso do mesmo jeito: saiu do estoque.
  5. 5Ajuste o pedido de amanhã pelo que sobrou, não pelo que vendeu na semana passada. Sobrou muito tomate? Peça metade.

Quem segue a rotina por duas semanas descobre que dois ou três itens respondem pela maior parte da perda. O preço do hortifruti com a quebra embutida continua necessário, mas passa a embutir 5%, não 15%.

Como o sistema mostra a perda por produto

Na loja que vende por peso, o controle manual da perda dura uma semana e morre. O que segura a rotina é o sistema fechar o ciclo sozinho. A nota do fornecedor entra por quilo, a balança baixa o que vendeu e a perda entra com motivo. No fim, o relatório mostra, por produto, quanto comprou, quanto vendeu e quanto foi para o lixo.

É esse relatório que responde a pergunta de cada segunda-feira: quanto pedir. Um sistema para hortifruti e mercadinho com balança integrada faz isso sem planilha, e a baixa por motivo já vem nos planos de entrada.

Perguntas de quem está começando a medir

Qual perda é "normal" no hortifruti?

A sua, medida por duas semanas. Não existe número que sirva para banca de bairro e sacolão grande ao mesmo tempo. Meça primeiro, defina a meta como metade do que achou e revise a cada mês.

Vender a fruta madura com desconto dá prejuízo?

Dá menos prejuízo que o lixo. Fruta madura vendida a 40% abaixo ainda devolve quase todo o custo; jogada fora devolve zero. O erro é deixar a oferta misturada com o produto cheio, que aí o cliente troca um pelo outro.

Devo pesar a sobra ou contar unidades?

Pese. É como você compra e como a balança vende, então a conta fecha com o mesmo número. Contar unidade de tomate ou de banana engana a medida.

Hoje, no fechamento, faça só a primeira parte: separe os três montes e pese o que vai embora. Amanhã rode a calculadora com o número da semana, mesmo que ele seja feio. Com a perda medida por produto, o pedido da próxima CEASA já sai diferente, e o sistema passa a mostrar quanto cada item deixa de verdade.

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