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Vender por metro no caixa: do rolo ao cupom sem perder ponta

Veja como cadastrar o rolo e vender o metro no caixa, quanto a ponta e a folga do corte custam por rolo e o preço por metro que cobre tudo, com calculadora.

Equipe VendaSimples 7 min de leitura
Atendente medindo cabo elétrico puxado de um rolo sobre o balcão de uma loja de materiais elétricos, ilustrando como vender por metro
Neste artigo

O cliente pede 7 metros de cabo, o atendente puxa do rolo, mede no balcão, corta com dois dedos de folga e passa no caixa como 7. No fim do mês o rolo de 100 metros rendeu 96 e ninguém sabe por quê. Vender por metro é venda fracionada: o estoque só bate quando cadastro, corte e cupom falam a mesma unidade. A conta do preço está abaixo.

Um produto, duas unidades: o rolo entra e o metro sai

O erro de cadastro mais comum é criar o produto com a unidade da nota de compra. O fornecedor vende o rolo, então o cabo é cadastrado como "rolo" e o caixa vende 1 rolo toda vez que alguém leva 3 metros. O estoque mostra 40 rolos quando há 12, e o custo da venda sai 100 vezes maior do que é.

O cadastro certo tem duas unidades e um fator: a unidade de compra (rolo, peça, bobina), a unidade de venda (metro) e o fator de conversão entre elas. Rolo de 100 metros tem fator 100; peça de tecido de 50 metros, fator 50. A nota de entrada lança 10 rolos e o sistema guarda 1.000 metros. O custo por metro é o custo do rolo dividido pelo fator, e é esse custo que o caixa usa para calcular a margem de cada corte.

ProdutoCompraVendaFatorCusto por metro no exemplo
Cabo flexível 2,5 mmRolo de 100 m a R$ 300Metro100R$ 3,00
Tecido tricolinePeça de 50 m a R$ 600Metro, fração de 10 cm50R$ 12,00
Mangueira de jardimRolo de 50 m a R$ 175Metro50R$ 3,50
Corrente de eloCaixa de 30 m a R$ 270Metro30R$ 9,00
Fita de cetimRolo de 10 m a R$ 8Metro10R$ 0,80
Valores de exemplo, redondos de propósito. O custo por metro da tabela ainda não inclui a ponta nem a folga do corte.

A mesma lógica vale para o que a loja vende por peso: a balança divide o fardo em quilos como o fator divide o rolo em metros. A diferença é que a balança ligada ao caixa mede sozinha, e no metro quem mede é o atendente, com a folga que ele achar justa.

Ponta do rolo e folga do corte: o metro que sai de graça

O custo da tabela acima, R$ 3,00 por metro de cabo, parte do princípio de que os 100 metros viram dinheiro. Não viram. Parte fica no caminho, em perdas pequenas demais para alguém anotar e grandes demais para ignorar no fim do mês.

  • A ponta. Os últimos 2 ou 3 metros do rolo não servem para quem precisa de 7. Eles ficam no fundo da prateleira até alguém vender como retalho, com desconto, ou jogar fora.
  • A folga do corte. Ninguém corta 7,00 m cravados: o atendente dá 3 cm "para não faltar". Em vendas de 8 metros, são 12 cortes por rolo e quase 40 cm que saíram sem passar no caixa.
  • O arredondamento no cupom. O cliente leva 2,35 m e o caixa registra 2. Se o sistema não aceita fração ou se o atendente arredonda por hábito, o estoque fica sempre acima do físico e a diferença aparece só no inventário.

Somadas, no exemplo do cabo, elas transformam o rolo de 100 metros em uns 98,6 metros que viram dinheiro a preço cheio. Parece pouco. Mas o preço por metro foi calculado em cima de 100, então cada rolo rende menos do que a margem prometia. A loja que vende 60 rolos por mês descobre isso na conta do contador, não no caixa.

Calcule o preço por metro que cobre a ponta e o corte

Informe o que o rolo custou na nota e quantos metros ele tem. Depois, quanto sobra de ponta, com que desconto ela sai como retalho, a folga que o atendente dá por corte e a margem pretendida. Saem o custo real do metro que vira dinheiro, o preço por metro que paga essa margem e quanto cada rolo deixa de render quando o preço é feito pelo metro da etiqueta.

No exemplo do cabo, o preço sobe de R$ 4,62 para R$ 4,68 o metro. Seis centavos que o cliente não percebe e que valem uns R$ 6 por rolo, R$ 380 por mês em 60 rolos. Em tecido, onde a ponta é maior e a margem é mais alta, a diferença por peça é maior. Rode com o seu rolo mais vendido antes de decidir se vale mexer na etiqueta.

Como registrar 2,35 m no caixa e na nota

Defina a fração mínima de venda por produto e deixe isso visível para quem atende. Cabo e mangueira saem de 1 em 1 metro; tecido e fita, de 10 em 10 centímetros; corrente, de 50 em 50. O caixa registra a quantidade com vírgula, 2,35, e o sistema multiplica pelo preço do metro. O layout nacional da NF-e e da NFC-e aceita quantidade com casas decimais, então 2,35 m sai no cupom como 2,35 m, com o valor unitário por metro.

A etiqueta da prateleira precisa trazer o preço por metro, não só o do rolo. O Código de Defesa do Consumidor garante ao cliente a informação do preço por unidade de medida, como quilo, litro ou metro, e o fiscal do Procon olha isso na gôndola de fios e tecidos. Quem vende o rolo fechado também mostra o preço do rolo, ao lado.

Se a loja usa medidor de comprimento, aquela máquina de contar metros de fio, cabo, fita ou tecido, ele precisa de verificação anual pelo Ipem do seu estado, como a balança do açougue. Metro de balcão fixo e trena não entram nessa regra, mas o Procon pode conferir a medida na hora. Dar a folga de 3 cm é escolha da loja; dar menos do que o cupom diz é problema.

Retalho: vender a ponta em vez de jogar fora

A ponta do rolo vira dinheiro quando tem cadastro próprio. Crie o produto "retalho" ou "ponta" da mesma linha, com preço por metro menor, e transfira para ele os metros que sobraram quando o rolo acabar. O cliente que precisa de 1,5 m de tecido para forrar uma almofada paga feliz por uma ponta de 1,8 m com 40% de desconto. E o estoque do rolo principal fecha em zero, em vez de guardar 2 metros fantasmas para sempre.

Em armarinho e loja de tecidos isso é rotina, e o cadastro do armarinho com venda por metro e por unidade do pacote já prevê o retalho como produto. Em materiais elétricos a ponta de cabo vira venda de instalação pequena: 2 metros para trocar a tomada da cozinha.

O que o sistema precisa fazer para o estoque bater

A lista é curta e se resolve no cadastro. Aceitar duas unidades com fator de conversão. Aceitar quantidade decimal no caixa e na nota. Baixar o estoque em metros a cada venda, não em rolos. E contar o inventário em metros, com o rolo aberto pesado ou medido, para a diferença entre o físico e o sistema aparecer todo mês, e não só quando o rolo some.

Num sistema para loja de materiais elétricos, o cabo entra por rolo na nota do fornecedor e sai por metro na NFC-e do balcão. O custo por metro é calculado na entrada e a margem de cada corte aparece no relatório. O fator de conversão e a venda fracionada estão em todos os planos, sem cobrar por produto cadastrado.

Perguntas de quem está começando a vender fracionado

Posso vender o mesmo cabo por metro e por rolo fechado?

Pode, e é o mais comum. O rolo fechado pode ser um segundo produto com preço próprio, ou o mesmo produto vendido com quantidade 100 e desconto. A segunda opção mantém o estoque num lugar só.

Como cadastrar a peça de tecido se cada uma vem com metragem diferente?

Lance a entrada pela metragem real da etiqueta da peça, não por um fator fixo. A peça de 48,5 m entra como 48,5 m. O fator serve para a compra padronizada, como rolo de 100 m de cabo.

O atendente pode cobrar a folga do corte?

Pode cobrar o que mediu, inclusive a folga, desde que o cupom diga a quantidade real. Dar 3 cm e cobrar 3 cm é correto. O que não pode é cobrar 7 e entregar 6,90.

Hoje, pegue o rolo que mais sai e confira no sistema em que unidade ele está cadastrado. Se estiver em rolo, mude para metro com o fator, e lance o que falta no estoque. Depois rode a calculadora com o custo da última nota e veja se o preço da etiqueta ainda paga a ponta e a folga. É meia hora que acaba com o rolo que rende 96.

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